Posts Tagged ‘Venezuela’

Chávez fecha acordo com a Rússia para construção de usina nuclear

21/10/2010
Em visita oficial à Rússia, presidente venezuelano diz que país desenvolverá energia nuclear com fins pacíficos

BBC Brasil | 15/10/2010 15:29

Em visita oficial à Rússia nesta sexta-feira, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, assinou um acordo com o líder russo, Dmitry Medvedev, para a construção e exploração de uma usina nuclear na Venezuela.
“Venezuela entra no caminho da energia nuclear”, afirmou o líder venezuelano, de acordo com agências de informação russas. “Desnecessário dizer, mas vou dizer: com fins pacíficos, obviamente.”
Antes de embarcar à sua viagem internacional – que além da Rússia inclui Ucrânia, Bielo-Rússia, Síria, Líbano e Irã -, Chávez havia adiantado que fecharia esse acordo, que permitirá o desenvolvimento de energia atômica no país.

Foto: AP Presidentes russo, Dmitri Medvedev (à dir.), e venezuelano, Hugo Chávez, passam em frente de guarda de honra durante encontro no Kremlin, em Moscou

O presidente russo disse que as economias petroleiras são vulneráveis e a construção da usina levará independência à Venezuela, “incluindo no caso da queda dos preços do petróleo”, de acordo com a agência estatal venezuelana.
O governo venezuelano defende a energia nuclear para geração de eletricidade e como alternativa à geração termoelétrica. Chávez costuma citar como exemplos o Brasil e a Argentina. No início deste ano, a Venezuela enfrentou uma crise de escassez de eletricidade provocada pela estiagem e por faltas de investimentos no setor.
“Dizem que vamos fazer bombas atômicas. Não, nós não vamos fazer bombas atômicas”, afirmou Chávez. “Vamos desenvolver a energia nuclear e nada vai nos impedir. Somos livres, soberanos e independentes”, disse o presidente durante uma conferência com estudantes russos e venezuelanos na Biblioteca de Literatura Estrangeira, em Moscou.
Tratado
O tratado bilateral para promover o desenvolvimento de energia nuclear para fins pacíficos já havia sido assinado em 2008, em Caracas. O acordo, porém, para a construção da usina atômica ainda não havia sido concretizado.

Venezuela estuda implantar 10.000MW em usinas eólicas

23/04/2010

São Paulo, 12 de Abril de 2010 – 16:58

País busca alternativas para solucionar crise no fornecimento de energia

Da redação

A Venezuela está elaborando um plano que prevê a implantação de 10.000MW em parques eólicos nos próximos 15 anos.

O projeto faz parte das estratégias que estão sendo analisadas pelo governo para escapar à crise energética. O país está em racionamento de energia desde o início do ano devido à falta de chuvas, que reduziu os níveis nos reservatórios das hidrelétricas.

Segundo Osvaldo Ravelo, presidente da Associação de Energia Eólica na Venezuela, o país também estuda a utilização do mar para gerar energia através das ondas.

A associação afirma que entregou ao Ministério de Ciência e Tecnologia um projeto que prevê o aproveitamento da fonte e outro que pede a elaboração de um mapa eólico local.

“Não é suficiente que tenhamos petróleo, porque cada vez ele é menos usado para gerar eletricidade”, ressalta Rodriguez. Segundo ele, o governo também avalia o aproveitamento do potencial solar do país para a geração de energia elétrica.

A Venezuela e a maldição do petróleo

18/01/2010

Adriano Pires

Venezuela é o exemplo da chamada maldição do petróleo. Ao longo da sua história o país tem convivido com crises econômicas e sociais provocadas por essa maldição, e a crise atual é mais uma.

Após a 1ª Guerra Mundial, várias empresas estrangeiras iniciaram atividades exploratórias na região do Lago de Maracaibo. A atividade se intensificou e as exportações de petróleo do país cresceram rapidamente. O primeiro embate entre o Estado venezuelano e as petroleiras ocorreu em 1943, com a promulgação de uma lei que não apenas padronizou os tributos e os royalties pagos pelas empresas, mas também elevou os seus valores de um máximo de 15% – passaram para um mínimo de 16,66% da produção.

Na segunda metade da década de 50, tiveram início na Venezuela os primeiros movimentos para que o Estado tivesse uma participação maior na indústria petrolífera. O governo suspendeu novas concessões às companhias estrangeiras e criou a empresa pública Corporación Venezolana del Petróleo (CVP) em 1960. No mesmo ano a Venezuela se tornou membro fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Na década de 70, diante da disparada dos preços do petróleo, a Venezuela embarcou no movimento mundial de vários países exportadores de petróleo e nacionalizou a sua indústria petrolífera. Em maio de 1974 o presidente Carlos Pérez encaminhou proposta de nacionalização cujo efeito prático ocorreu em janeiro de 1976. Neste processo, o governo criou a PDVSA, como controladora de quatro empresas subsidiárias formadas a partir da estatal CVP e das 14 companhias de petróleo estrangeiras que operavam no país.

O monopólio da PDVSA perdurou até o início da década de 90, quando, no rastro da queda dos preços do petróleo, o país se defrontou com uma crise econômica. Diante da queda da receita petrolífera, o Estado desenvolveu uma iniciativa conhecida como a apertura petrolera, que possibilitou atrair as petroleiras estrangeiras de volta ao país. No final da década de 90, quase 60 empresas estrangeiras de 14 países atuavam na Venezuela, entre elas majors como BP, Chevron, Conoco, Eni, ExxonMobil e Total. A produção de petróleo voltou a crescer e atingiu 3,5 milhões de barris/dia em 1998, retornando aos níveis do início da década de 70.

Em 1999 houve uma nova reviravolta no setor de petróleo venezuelano, com a chegada de Hugo Chávez à presidência. Em 2001 o governo venezuelano revogou o regime regulatório então vigente e, em 2002, uma nova lei aumentou a participação governamental, estabelecendo que os novos projetos fossem estruturados sob a forma de empresas mistas em que a PDVSA detivesse participação majoritária.

As mudanças introduzidas pela nova lei enfrentaram forte barreira dos quadros da PDVSA. Quase metade dos funcionários da estatal entrou em greve no fim de 2002. Em resposta, o governo demitiu cerca de 18 mil funcionários, o que minou significativamente a memória técnica da empresa. Para piorar, na substituição dos demitidos, o governo aparelhou politicamente a estatal, com consequente perda de sua eficiência.

Um novo movimento para aumentar a participação do Estado venezuelano ocorreu em 2007, quando o presidente Chávez decidiu estender o processo de conversão em empresas mistas para as quatro associações estratégicas existentes e também para os convênios de exploração. Essa medida, batizada pelo governo de “nacionalização do Orinoco”, fez parte de um extenso plano de nacionalização, que incluiu também os setores de telecomunicações e de energia elétrica.

Mas a nacionalização na Venezuela não se restringiu apenas às empresas petrolíferas atuando em exploração e produção (E&P). Em maio de 2009 o governo Chávez estatizou dezenas de empresas prestadoras de serviços petrolíferos. Em decorrência dessa ação, cerca de 8 mil trabalhadores ingressaram na folha salarial da endividada PDVSA. Embora não declarado pelo governo, o objetivo dessa medida foi aumentar as fontes de recursos para os programas sociais, com a economia de US$ 700 milhões por ano em razão da suspensão de pagamentos às empresas estatizadas.

As medidas adotadas pelo governo de Chávez tiveram impacto direto sobre a produção de petróleo do país. Desde a sua eleição em 1999, a produção da Venezuela vem sofrendo um significativo declínio, alcançando em 2009 níveis semelhantes aos do início da década de 90.

Em 30 de novembro de 2009, a PDVSA disponibilizou para as petroleiras interessadas os termos da oferta para a exploração e produção de petróleo em sete blocos de Carabobo, na Faixa Petrolífera do Orinoco, cujas reservas de petróleo extrapesado são estimadas em 235 bilhões de barris. Essa será a primeira licitação para exploração de petróleo em quase dez anos no país.

Mais uma vez a Venezuela tenta atrair empresas estrangeiras num momento de grave crise econômica, que traz ameaça à popularidade do atual governo. Além da inflação crescente, há um total desabastecimento de produtos básicos nos supermercados – situação provocada pela decisão do governo de tabelar preços a fim de conter o seu aumento. Some-se a isso ainda a atual estiagem que assola o país, o que levou o governo a impor um racionamento de água e de energia elétrica.

Por causa da estreita relação existente entre petróleo e política na Venezuela, o país não consegue se livrar da maldição do petróleo. São poucos os exemplos de países em desenvolvimento com grandes excedentes de petróleo que escaparam a essa maldição. É ainda menor o número de países que se desenvolveram com base unicamente na produção de recursos naturais. Fica a lição venezuelana para o Brasil, que, com a descoberta do pré-sal, de maneira açodada, pretende mudar o atual marco regulatório.

*Adriano Pires é diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie) Carlos Alberto Sardenberg está em férias