Posts Tagged ‘solar’

Portugal ganha liderança em energia limpa

08/09/2010

De sua edição semanal na Folha de S.Paulo desta Segunda 30/ago:

Por ELISABETH ROSENTHAL

LISBOA – Há cinco anos, os líderes de Portugal, nação ensolarada e varrida pelo vento, fizeram uma aposta: para reduzir a dependência do país em relação aos combustíveis fósseis importados, eles implementaram diversos projetos ambiciosos de energia renovável, aproveitando o vento, os rios, o sol e as ondas locais.

Hoje, os bares de Lisboa, as fábricas da cidade do Porto e os glamourosos resorts do Algarve são alimentados substancialmente por energia limpa. Quase 45% da eletricidade colocada na rede portuguesa neste ano virá de fontes renováveis.

E Portugal espera se tornar no ano que vem o primeiro país a inaugurar uma rede nacional de abastecimento de carros elétricos.

“Já vi todos os sorrisos -você sabe: ‘É um bom sonho, [mas] não dá para competir, é caro demais'”, disse o primeiro-ministro José Sócrates.

Para estimular a transição energética, o governo reestruturou e privatizou antigas estatais elétricas, para criar uma rede mais adequada às fontes renováveis de energia. Para atrair empresas privadas ao novo mercado, Lisboa ofereceu-lhes contratos que selavam um preço estável por 15 anos.

Antigas preocupações sobre a confiabilidade e o custo elevado foram superadas. As luzes se acendem em Lisboa mesmo quando o vento não sopra na ampla usina eólica do Alto Minho, inaugurada há dois anos. Os custos da produção elétrica e as tarifas ao consumidor estão em torno da média europeia.

Portugal diz que tem conseguido manter os custos baixos por priorizar as formas mais baratas de energia renovável -eólica e hidrelétrica- e reduzir gradualmente subsídios pagos para convencer empresas a construir novas usinas. Quando a nova infraestrutura estiver completa, o sistema vai custar anualmente cerca de ? 1,7 bilhão a menos do que antes, segundo Manuel Pinho, ex-ministro de Economia e Inovação e um dos principais mentores da transição.

No ano passado, pela primeira vez, Portugal exportou mais energia do que importou, ao vender uma pequena quantidade de eletricidade para a Espanha. Dezenas de milhares de portugueses trabalham no setor.
A Energias de Portugal, maior empresa do setor no país, é dona de usinas eólicas em Iowa e no Texas, por intermédio da sua subsidiária americana, a Horizon Wind Energy.

Portugal deu o primeiro passo em 2000, ao separar a distribuição da produção. O governo adquiriu, a preços de mercado, todas as linhas de transporte de eletricidade e gás. Em seguida, leiloou contratos para que empresas privadas construíssem e operassem usinas eólicas e hidrelétricas.

Manter o país à base das forças altamente imprevisíveis da natureza é algo que exige novas tecnologias, além de habilidades dignas de um malabarista.

A estatal Redes Energéticas Nacionais usa um sofisticado sistema para prever o clima, especialmente o vento, e desde o início da transição duplicou o número de controladores encarregados de direcionar a eletricidade.

“É uma operação em tempo real, e há muito mais decisões a serem tomadas -a cada hora, a cada segundo”, disse Victor Baptista, diretor-geral da REN.

Alguns dos programas combinam energia eólica e hidrelétrica: turbinas alimentadas pelo vento empurram água morro acima durante a noite, o período em que venta mais; durante o dia, quando há maior demanda, a água desce o morro, gerando eletricidade.

O sistema de distribuição em Portugal agora também é de mão dupla. Em vez de simplesmente entregar a eletricidade, ele capta energia até dos menores geradores, como painéis solares instalados no teto de imóveis.

A enorme aposta portuguesa na energia limpa não agradou a todos -inclusive a muitos ambientalistas para os quais as turbinas eólicas interferem no comportamento dos pássaros, e as represas destroem o habitat do sobreiro, árvore de que é feita a cortiça.

O preço da eletricidade doméstica em Portugal aumentou 15% em cinco anos, segundo a Agência Internacional de Energia. Além disso, os projetos de energia limpa nem sempre geram muitos empregos. Há mais de cinco anos, por exemplo, a isolada cidade de Moura recebeu a maior usina solar de Portugal.

Mas, se 400 pessoas construíram a usina, só 20 a 25 trabalham lá agora.
Apesar disso, especialistas consideram a experiência portuguesa um notável sucesso, e outros países estão imitando-a. Segundo a consultoria americana IHS Emerging Energy Research, até 2025 Irlanda, Dinamarca e Reino Unido também obterão 40% da sua eletricidade de fontes renováveis.

Os EUA ficarão para trás, com 16%.

“A experiência de Portugal mostra que é possível fazer essas mudanças em um período curtíssimo”, disse Sócrates.

Anúncios

Energia solar já pode ser mais barata que a nuclear, afirma estudo

25/08/2010

Pesquisadores analisaram cenário na Carolina do Norte e apontaram vantagens das usinas fotovoltaicas

Por Luciano Costa

 

Crédito: GettyImages

Em um estudo entitulado “Custos solares e nucleares”, pesquisadores da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, afirmam que a energia gerada por usinas fotovoltaicas já pode ser mais barata que a proveniente de centrais nucleares. O trabalho leva em conta análises feitas no próprio estado, onde o preço do kwh gerado pelas placas solares está em US$0,16.

O texto aponta que as instalações nucleares buscam diversas subvenções públicas, transferindo os riscos financeiros adicionais aos clientes das companhias de energia e aos contribuintes.

Além disso, essas usinas sofreriam constantes atrasos e cancelamentos durante sua implantação. Em outros casos, problemas no planejamento estariam levando a recorrentes aumentos nos orçamentos propostos para as usinas da fonte.

Enquanto isso, o crescimento da indústria solar e de fornecedores, as novas tecnologias aplicadas e seus benefícios ambientais são indícios de que “o custo da energia solar está diminuindo, enquanto o custo da energia nuclear aumentou nos últimos oito anos”. O estudo afirma que o orçamento para a instalação de um reator nuclear passou de US$3 bilhões para uma média de US$10 bilhões.

A análise compara os custos e os incentivos para ambas as tecnologias, baseado em relatórios sobre a energia fotovoltaica e as estimativas de custos de construção de nucleares. As comparações incluem tanto painéis solares instalados em residências e empresas quanto grandes parques de geração da fonte.

Abaixo, gráfico que consta no estudo, com a evolução do preço das duas fontes ao longo do tempo. De acordo com os pequisadores, a energia solar chegou a um “ponto histórico” que atesta sua viabilidade comercial.

Clique aqui para acessar a íntegra do estudo.

IEA: Solar to account for 25% of World Electricity by 2050

19/05/2010

Monday, May 17, 2010

Solar electricity could represent up to 20% to 25% of global electricity production by 2050. This important finding emerges from two new analyses by the International Energy Agency (IEA): the solar Photovoltaic (PV) and Concentrating Solar Power (CSP) roadmaps, launched today in Valencia/Spain, during the Mediterranean Solar Plan Conference hosted by the Spanish presidency of the EU. “It is particularly appropriate to present the two solar roadmaps in Valencia today, given that Spain has taken a leading role globally in promoting solar power and other forms of renewable energy,” said Mr. Tanaka. “The combination of solar photovoltaics and concentrating solar power offers considerable prospects for enhancing energy security while reducing energy-related CO2 emissions by almost six billion tonnes per year by 2050.” The roadmaps detail the technology milestones that would make this possible, highlighting that the two technologies will deploy in different yet complementary ways: PV mostly for on-grid distributed generation in many regions and CSP largely providing dispatchable electricity at utility scale from regions with brightest sun and clearest skies. PV also helps provide energy access off grid in rural areas. Together, PV and CSP could generate 9 000 Terawatt hours of power in 2050.

“This decade is crucial for effective policies to enable the development of solar electricity,” Mr. Tanaka said. “Long-term oriented, predictable solar-specific incentives are needed to sustain early deployment and bring both technologies to competitiveness in the most suitable locations and times.” These incentives will need to evolve over time to foster innovation and technology improvements. To support cost reductions and longer-term breakthroughs, governments also need to ensure long-term funding for additional research, development and demonstration efforts.

With effective policies in place, PV on residential and commercial buildings will achieve grid parity – i.e. with electricity grid retail prices – by 2020 in many regions. PV will become competitive at utility-scale in the sunniest regions by 2030 and provide 5% of global electricity. As PV matures into a mainstream technology, grid integration and management and energy storage become key issues. The PV industry, grid operators and utilities will need to develop new technologies and strategies to integrate large amounts of PV into flexible, efficient and smart grids. By 2050, PV could provide more than 11% of global electricity.

The IEA expects CSP to become competitive for peak and mid-peak loads by 2020 in the sunniest places if appropriate policies are adopted. Its further expansion will depend on the development of dedicated transport lines that will bring CSP electricity to a greater number of large consumption centres. Some of them will have to be developed within large countries such as China, India and the USA. Others will cross border, and many will be needed to link the southern and northern shores of the Mediterranean Sea. Thanks to thermal storage, CSP can produce electricity around the clock and will become competitive with base load power by 2025 to 2030. North America will be the largest producer of CSP electricity, followed by North Africa and India. North Africa would most likely export about half its production to Europe, the second largest consumer. The overall contribution of CSP could – like that of PV – represent 11% or more of the global electricity demand by 2050.

Mr. Tanaka concluded in noting that “solar PV and CSP appear to be complementary more than competing. The firm capacity and flexibility of CSP plants will help grid operators integrate larger amounts of variable renewable electricity such as solar PV and wind power. PV will expand under a broader range of climate conditions and bring clean renewable electricity directly to end-users.”

http://www.iea.org/papers/2010/pv_roadmap.pdf
http://www.iea.org/papers/2010/csp_roadmap.pdf