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Poço Redondo poderá sediar usina nuclear de Sergipe

02/08/2010

Sábado, Julho 17, 2010

Em reunião realizada na última quarta-feira (14), na Sociedade Semear, em Propriá (SE), pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, onde participaram representantes de Sergipe, de Alagoas, pescadores, técnicos e prefeitos da região, o anúncio de que o município de Poço Redondo, no sertão de Sergipe, poderá sediar uma central nuclear deixou surpreso o prefeito do referido município Frei Enoque. A notícia foi dada pelo representante da empresa Eletronuclear, Dr. Carlos Henrique Martins, responsável pelos estudos de instalação da Central Nuclear no Nordeste. De acordo com o Dr. Henrique, a Central Nuclear poderá ser composta de três a cinco Usinas e que os municípios escolhidos em Sergipe para instalação são, pela ordem de prioridade : Poço Redondo, Gararu e Porto da Folha. Ainda segundo o representante da Eletronorte, a Central deve e tem que ser instalada no Nordeste, e os Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco ou Bahia são os candidatos, em decorrência da água doce – já que o mar não oferece condições favoráveis para a produção da energia nuclear -, e da grande reserva de urânio na Bahia, matéria prima necessária para o processo da energia nuclear. A decisão agora é meramente política para o Estado escolhido. A área deve ter 500 hectares ou 1.500 tarefas para a instalação da Central. Das informações técnicas passadas, a que causou mais polêmica e inquietação foi a de que a temperatura que sai da água depois do processo de produção da energia é de 3 a 5 graus, provocando um questionamento do engenheiro de Pesca Dr. Bonifácio dizendo que “o peixe morre com essa temperatura. Ele (peixe) só suporta até dois graus”, informou o técnico, gerando uma grande discussão entre os pescadores e os presentes na reunião. Ainda no encontro, a discussão da construção da de Pão de Açúcar (AL) foi retomada, e um plebiscito foi proposto pelo deputado estadual Wanderlê Correia, representando a Assembléia Legislativa de Sergipe, para consultar população sobre a instalação da Central em Sergipe. De 16 a 20 de agosto, no Estado de Minas Gerais, haverá um encontro para a escolha da presidência do Comitê da Bacia do São Francisco e retomar a discussão sobre a Central Nuclear no Nordeste. “Não podemos ser contra o progresso, mas não podemos ser ingênuos e embarcar sem discutir. O que nos compete agora é buscar informações”, declarou o prefeito de Poço Redondo Frei Enoque. O governador do Estado Marcelo Déda explicou, em entrevista concedida a Renner Alves do programa A HORA DA NOTICIA (Rádio Xingó FM), que Sergipe tem um perfil diversificado como produtor de energia. “A nova usina nuclear vai fortalecer a vocação do estado como produtor e exportador de energia, e por localizar-se próximo da Hidrelétrica de Xingó, suas linhas de transmissão já instaladas reduziriam o custo de novo investimento”, resumiu o governador.
Da Redação

Wanderlê quer manutenção do debate sobre usinas nucleares

18/05/2010

Publicado em: 13/05/2010 12:42:37

Habacuque Villacorte, da Agência Alese

O deputado estadual Wanderlê Correia (PMDB) ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa, na manhã desta quinta-feira (13), para cobrar uma discussão ampla sobre a implantação de usinas nucleares no Brasil, mais especificamente em Sergipe. O peemedebista estranhou que o assunto tenha saído da pauta de discussões na AL e enfatizou que a discussão não pode deixar de acontecer.

 “Parece que esse tema foi esquecido. Mas não podemos deixar de discutir a questão das usinas nucleares. No último dia 6, houve uma audiência pública na Comissão de Meio Ambiente da Câmara Federal sobre a instalação destas usinas no Brasil. E, na oportunidade, o presidente da Eletronuclear reafirmou aquilo que nós já tínhamos avisado aqui em Sergipe: estão trabalhando para implantar seis novas usinas no país”, afirmou o deputado.

Wanderlê, em seguida, pediu ao presidente da Comissão de Energia da Assembleia Legislativa que coloque na pauta dos trabalhos os requerimentos de sua autoria convidando especialistas em energia nuclear, além do padre Osvaldino, do município baiano de Caitité, onde existe uma mina de extração de urânio, para que eles possam expor seus pontos de vista sobre os riscos da instalação de uma usina nuclear em solo sergipano.

 “Hoje nós estaremos proferindo uma palestra sobre o assunto na Câmara Municipal de Propriá. Já temos outra palestra agendada na Câmara de Vereadores de Porto da Folha. Vamos promover uma série de debates e palestras nas cidades ribeirinhas, mas em outras cidades também. O risco de um acidente nuclear preocupa muita gente. Nos próximos dias nós estaremos levando essa mensagem no calçadão da João Pessoa, no centro de Aracaju, onde vamos instalar projetores e explicar os riscos da proliferação da energia nuclear”, completou.

“DÉDA, USINA NUCLEAR E UM CONSTITUINTE”

26/03/2010

por George W.

 

SilvaIdos de 1989 e, na Assembleia Legislativa de Sergipe, desfilava, altivo, um dos deputados mais atuantes daquela nova legislatura. Sujeito oriundo da classe trabalhadora, forjado nas lutas sociais que perpassaram os Anos de Chumbo até que o último facínora de farda fosse defenestrado do poder. Nas ruas, o movimento das massas não mais podia ser barrado, nem pelos blindados, e o grito de liberdade não mais podia ser abafado. Redemocratização, “Diretas Já!”, anistia, Tancredo eleito, e um sopro balsâmico de esperança e renovação trazia um alívio ao castigado povo brasileiro.

Ele estava lá! Acompanhou tudo isso, viveu cada momento e ali se fez homem de esquerda, da esquerda, ao lado daqueles que lutaram por um outro mundo possível, e, embalado por versos de José Martí e outros poetas revolucionários, sonhou ser capaz de fazer do seu pequeno Sergipe uma terra com justiça social.

O ano era 1989, e coube aos constituintes, deputados eleitos no ano anterior, cumprir a tarefa de, norteados pela recém-promulgada Constituição Cidadã brasileira, elaborar e promulgar um texto que promovesse e respeitasse as liberdades individuais, a dignidade da pessoa humana e o progresso sustentável do Estado de Sergipe.

E sonhando o sonho possível, ele estava lá, entre os constituintes eleitos. Neófito, ele, eleito pelo Partido dos Trabalhadores, que alimentado pelo sangue e suor dos operários metalúrgicos do ABC paulista, ganhou o Brasil numa trajetória surpreendente, desafiadora, regada a muita esperança e fé. Marcelo Déda Chagas, deputado constituinte, esperança do povo trabalhador de Sergipe.

Lendo os anais da Assembleia Legislativa do Estado desse tempo, é possível ver a desenvoltura com que o jovem parlamentar petista apresentava emendas e sugestões para a nova Constituição, e como as defendia. E, penso, estava encravada em sua alma a certeza de que o que escrevia e apresentava como propostas à Constituição sergipana era fruto das suas mais profundas convicções de um mundo melhor para aquela e para a vindoura geração de sergipanos.

E foi com essa convicção que, tenho certeza, o então deputado constituinte Marcelo Déda, a lado do seu companheiro de partido, Marcelo Ribeiro, apresentou a Emenda nº 184, propondo que ao então Art. 157 fosse acrescido o seguinte parágrafo:

“Fica proibida a construção de usinas nucleares, o transporte de cargas radioativas e o depósito de lixo atômico no território estadual”. [Sala das Comissões, 12 de maio de 1989].

Claro, a emenda pecava pelo excesso de zelo. Proibir transporte de cargas radioativas significaria impedir também o transporte de material radioterápico, como os alimentadores de aparelhos de Raio X, por exemplo, ou de uso científico. Não por menos, o relator, Nicodemos Falcão, 17 dias depois, votou pela rejeição da Emenda 184.

Mas convicto que estava sobre sua propositura, de que seria necessário resguardar os sergipanos do perigo que representavam as usinas nucleares e o seu lixo radioativo, costurou um acordo, sugeriu nova redação, acatou sugestões e a emenda, para sua íntima alegria, acabou sendo aprovada e figurou na Constituição de Sergipe, como parágrafo 8º do Art.232, com a seguinte redação:

“Art. 232. (…). § 8º Ficam proibidos a construção de usinas nucleares e depósito de lixo atômico no território estadual, bem como o transporte de cargas radioativas, exceto quando destinadas a fins terapêuticos, técnicos e científicos, obedecidas as especificações de segurança em vigor.”

21 anos depois, os tempos são outros… e os políticos também. Há um provérbio popular, de autor desconhecido, que diz: “Não importa o que o passado fez de mim. Importa é o que farei com o que o passado fez de mim”.

Parece que o passado, para o companheiro Marcelo Déda, não lhe serviu como balizador para as suas ações presentes. Longe disso, tornou-se um fardo, e a história que ajudou a escrever, um mero roteiro de teatro do absurdo, do qual foi um ator pueril e que, cujas cenas, haverão de ser apagadas, esquecidas. E para isso ele trabalha.

“Não posso fechar os olhos com preconceito. A instalação de usina nuclear é viável, sim, aqui no Estado”, brada agora o governador Marcelo Déda, ardoroso defensor da usina, que vai requerer vultosos R$ 13 bilhões do dinheiro do povo para funcionar. Adeus constituinte Marcelo Déda! Pras cucuias o sonho de uma sociedade segura e sem presença de lixo nuclear! As gerações futuras que se virem, nos próximos mil anos, com o bagulho que ficar! O que interessa são os investimentos que o empreendimento irá trazer! Importante é gerar energia para o grande capital consumir! Business is business!

“A geração de empregos para a região melhoraria de forma surpreendente os indicadores sociais. A população de Sergipe está preparada e ansiosa para receber um empreendimento importante assim”, assevera o “nuevo” Déda.

Ao que parece, o andar coladinho com o empresário tucano Albano Franco, sempre ávido por bons negócios que impulsionem suas empresas e inflem os seus lucros e o da sua família, contagiou aquele que, em tempos outros, tinha ojeriza a empresários, indignava-se com os grandes capitalistas e sua ganância, tinha repulsa às oligarquias sanguessugas e às elites parasitas.

Sinceramente, triste do homem que apaga a sua história em nome de uma falsa modernidade, de uma ilusória nova visão da realidade. Nem a usina nuclear vai gerar empregos duradouros (mas somente mão de obra para a sua construção), nem vai levar prosperidade e distribuição de renda para Canindé do São Francisco, tampouco para os sergipanos.

Fosse certo o raciocínio do governador, assim como o daqueles que defendem com veemência (e interesses pessoais camuflados) a instalação da tal usina atômica em solo sergipano, o povo de Canindé estaria vivendo num mar de prosperidade, num paraíso do capital, uma Suíça tropicaliente. Afinal, a hidroelétrica de Xingó também chegou com esse objetivo, e o que se vê por lá? Uns poucos muito ricos (e querendo cada vez mais) e uns muitos extremamente pobres.

Canindé tem um PIB per capita de cerca de R$ 83 mil (IBGE/2004), o segundo maior entre os municípios sergipanos, perdendo apenas para Aracaju, graças aos royalties da usina de Xingó, mas a maior parte da população vive na miséria e o seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é dos mais baixos. Onde está a distribuição de renda e o progresso em Canindé? E os empregos, para onde foram depois que a construção de Xingó findou? Bem assim será com uma usina nuclear. O que ficará então? A riqueza para alguns e o lixo radioativo para todos. Sendo que os endinheirados têm lá seus jatinhos e helicópteros para uma fuga emergencial, em caso de vazamento.

Além disso, esqueceram de avisar ao companheiro Déda que usinas nucleares têm vida útil e estimada entre 35 e 40 anos. Neste período, por exemplo, a usina de Angra I deve gerar 915 toneladas de combustível usado, um lixo que inclui o perigosíssimo plutônio, cuja radiação permanece ativa por milhares de anos.

Felizes os que morrem defendendo com firmeza os seus ideais e as páginas que escreveu ou ajudou a escrever; tristes os que fazem destes ideais trampolins para aventuras políticas pouco edificantes. Não! Apaguem o que escrevi! Emendem a emenda! Corrijam meus arroubos de revolucionário de falsas patentes! Assim poderei dormir mais tranquilo…

E imaginar que o agora governador Marcelo Déda jurou, em 1º de janeiro de 2007, quando tomou posse como chefe do Executivo sergipano, respeitar a Constituição do seu Estado, juramento este sobre páginas e letras escritas pelo constituinte Marcelo Déda… Pelo jeito, letras mortas! 

 

por George W. Silva

Fonte: http://www.conexaose.blogspot.com/