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Europa precisa de novas regras para lixo nuclear, diz relatório

22/11/2010

A energia nuclear é apresentada por seus defensores como uma alternativa à queima de combustíveis fósseis

28 de outubro de 2010 | 14h 19

REUTERS – REUTERS

Um esboço de relatório vazado da Comissão Europeia diz que a Europa deveria resolver o problema do lixo nuclear forçando a indústria a pagar para que ele fosse estocado nas profundezas do subsolo, onde seria supervisionado por sentinelas independentes.

CHRISTIAN CHARISIUS/REUTERS

CHRISTIAN CHARISIUS/REUTERS

Trabalhadores em mina testada para servir como depósito de lixo nuclear na Alemanha

“A situação atual da administração do combustível gasto e do lixo radioativo nos Estados-membros da UE não é satisfatória”, diz o texto.

O comissário de Energia da Europa,  Guenther Oettinger, vai propor novas regras com força de lei em 3 de novembro, para abrir um caminho mais seguro para a renascença da geração nuclear de energia em países como Reino Unido e Alemanha. 

A energia nuclear é apresentada por seus defensores como uma alternativa à produzida pela queima de combustíveis fósseis, e que gera gases causadores do efeito estufa.

A melhor opção para dispor do combustível nuclear usado é um “depósitos geológicos profundos” – cavernas em rochas argilosas ou de granito com 100 a 700 metros de profundidade – diz o relatório, que vai informar a futura diretriz europeia para lixo nuclear.

A região produz cerca de 50.000 metros cúbicos de lixo radioativo, dos quais cerca de 500 metros cúbicos são muito ativos, diz o grupo Foratom, que representa a indústria do setor.

Grupos contra o uso da energia nuclear saudaram as medidas para garantir maior controle público, avaliação independente do lixo e o pagamento dos custos pelas operadoras nucleares, e não pelos contribuintes.

Mas acusaram os assessores de Oettinger de ignorar as sérias dúvidas que existem a respeito dos depósitos subterrâneos.

“Há lacunas na ciência, e nenhum depósito existe atualmente, ainda assim a comissão alega que se trata de um método comprovado”, disse Jan Haverkamp, do Greenpeace. “Tememos que uma área de despejo possa lançar lixo nuclear de alto nível no lençol freático por centenas de milhares de anos”.

A Foratom responde que 30 anos de pesquisa no desenvolvimento de depósitos profundos provam que o método é factível. “Como uma barreira natural, a formação rochosa garantirá a segurança ainda melhor do que seres humanos poderiam”, disse o representante Christian Taillebois.

Depósito de lixo nuclear pode acabar em alguma área do Nordeste

24/08/2010

Antes do início das obras de um depósito de longa duração, a usina nuclear de Angra 3 não poderá entrar em operação

Uma área longe dos centros urbanos, isolada, no Nordeste. Esse é o provável destino do lixo de alta atividade radioativa produzido no País, o rejeito do combustível usado nas usinas nucleares, prevê o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende.

Atualmente, os rejeitos das usinas são guardados em piscinões instalados nas próprias usinas.

Mas a construção de um depósito de longo prazo para os rejeitos de alta radioatividade deverá começar até 2014, data prevista para a entrada em operação da usina nuclear de Angra 3, no Estado do Rio de Janeiro. Reportagem de Marta Salomon, em O Estado de S.Paulo.
A construção desse depósito é uma das exigências da licença ambiental concedida para a retomada das obras de Angra 3. Sem o início das obras, a usina não poderá entrar em operação.

Segundo Sérgio Rezende, a localização do depósito será objeto de um leilão. O município que abrigar o futuro depósito receberá dinheiro em formato de royalties da União.

“Não vejo dificuldade, acho que haverá vários municípios disponíveis, provavelmente no Nordeste”, disse o ministro.

A localização do depósito é uma das indefinições do Programa Nuclear Brasileiro. Também segue sem definição do governo a localização das duas próximas usinas nucleares, cuja entrada em operação é prevista para ocorrer até 2022. Estudos da Eletronuclear apontam 22 locais no Nordeste, inclusive às margens do Rio São Francisco.

As indefinições do programa vêm se arrastando desde dezembro de 2008, quando ocorreu a última reunião sobre o tema em comitê de ministros.

Em maio de 2009, o Ministério de Ciência e Tecnologia fechou proposta de criar a Agência Reguladora Nuclear, encarregada de fiscalizar a área, tarefa atualmente à cargo da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). No entanto, o texto ainda não foi enviado ao Congresso Nacional.

Também circula no governo minuta de decreto presidencial que nomeia o secretário de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, coordenador do comitê de ministros responsável pelo programa nuclear.

Quote of the Era

19/01/2010

‘Italians have not been able to protect Renaissance art treasures for even as long as one thousand years. Egyptians have not been able to protect the tombs of the Pharaohs for even as long as four thousand years, and some of the graves were looted within centuries. Yet, we in this generation have an obligation to protect our nuclear wastes for more than ten thousand years—a period longer than recorded history.

’It is ironic that we have been civilized for only about 10,000 years, yet we face the task of protecting high-level radwastes, a dangerous and “massive source of potentially valuable energy,” in perpetuity. We face the task of storing radionuclides such as plutonium, which has a half-life of 24,000 years, but remains dangerous for more than 250,000 years. We have been separated from the apes for only about 5 million years, yet we face the task of safeguarding iodine-129, which has a half-life of 16 million years but remains dangerous for more than 160 million years. We in the United States have been a nation for only about 200 years, yet we face the task of storing technetium-99 having a half-life of 200,000 years. Given the short span of our experience in handling these materials, how can we deal adequately with long-lived radioactive waste?’

From ‘Burying Uncertainty: Risk and the Case Against Geological Disposal of Nuclear Waste’ by K. S. Shrader-Frechette.