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Energia eólica pode suprir 20% de demanda global em 2050, diz estudo

27/10/2010

São Paulo, 14 de Outubro de 2010 – 10:00

Associação defende que o setor pode gerar 3 milhões de novos empregos

Da redação

Crédito: Getty Images

A energia gerada a partir dos ventos tem capacidade para responder por 12% da demanda mundial em 2020 e por 22% desse consumo em 2030. A previsão consta de estudo divulgado pelo Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês) e pelo Greepeace nesta terça-feira (12/10).

O documento, chamado Global Wind Energy Outlook 2010 (GWEO 2010), afirma que a fonte será um ponto chave para atender o crescente consumo de energia do mundo e ao mesmo temo evitar as emissões de gases ligados ao efeito estufa. Essa redução nas emissões seria de 34 bilhões de toneladas nos próximos vinte anos.

Os especialistas também acreditam no desenvolvimento eólico como um fator para aquecer a economia. Segundo os cálculos apresentados, a indústria da energia verde já ocupa mais de 600 mil pessoas no mundo, entre empregos diretos e indiretos. A expectativa é que, até 2030, o número de vagas abertas pela indústria do vento ultrapasse as três milhões em todo o globo.

“Em 2030, o mercado pode ser três vezes maior do que hoje, levando a investimentos de 202 bilhões de euros. (Isso significaria) uma nova turbina eólica (sendo instalada) a cada sete minutos”, analisa Sven Teske, especialista sênior em energia do Greenpeace. Segundo ele, hoje a taxa de crescimento da indústria é de uma nova turbina a cada meia hora – sendo que, destas, uma é instalada na China.

Fonte: Jornal da Energia

 

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Energia eólica já é uma das mais competitivas do Brasil

08/09/2010
A forte disputa verificada nos leilões promovidos pelo governo federal esta semana pôs a energia eólica na lista das mais competitivas do Brasil, abaixo até do custo das térmicas movidas a gás natural, de cerca de R$ 140 o megawatt/hora (MWh). Na média, o preço da energia produzida com o vento foi negociada por R$ 130,86. No leilão do ano passado, cada MWh custou em média R$ 148,39.

“O resultado realmente surpreendeu a todos”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Ricardo de Maya Simões. Ele acredita que há várias fatores para explicar a forte disputa verificada no leilão, que contratou 2.892 MW de capacidade, sendo 70% desse montante de energia eólica.

Um dos fatores é a desaceleração da economia europeia, onde a construção de parques eólicos é tradicional. Com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo menos, o consumo de energia cai e os projetos de geração são adiados. Isso reduz a demanda por novos geradores eólicos e derruba os preços dos equipamentos.

Nesse cenário, destaca Simões, o Brasil se tornou uma nova fronteira eólica no mundo, já que por aqui a demanda de energia elétrica continua em alta. A matriz, que até o ano passado era de 600 MW, deve pular para 4.454 MW de capacidade nos próximos três anos. “Além das multinacionais que já instalaram fábricas no País (Impsa, Alston e GE), outras empresas estão interessadas em construir novas unidades por aqui”, afirma o presidente da Abeeólica. Entre elas, estão a espanhola Gamesa, a dinamarquesa Vestas, a indiana Suzlon e investidores coreanos e chineses.

A argentina Impsa não só inaugurou uma unidade em Pernambuco, como tem apostado em novas usinas. Em parceria com o Fundo de Investimento com recursos do FGTS (FI-FGTS), vendeu 211 MW no leilão de dezembro do ano passado e 270 MW, no desta semana. O diretor-geral da empresa, Luis Pescarmona, explica que, além da crise europeia, as condições de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) melhoraram a competitividade dos projetos. O prazo dos empréstimos subiu de 14 anos para 16 anos.

Outro grupo que teve presença importante no leilão desta semana foi a joint venture entre Neoenergia e a espanhola Iberdrola. No total, eles venderam 258 MW, o que deve contribuir para a Neoenergia atingir 3 mil MW de potência instalada no País (já considerando a parcela de Belo Monte), afirma o presidente da empresa, Marcelo Corrêa. Em dois anos, diz ele, essa capacidade deverá subir para 5 mil MW.

Ricardo Simões, da Abeeólica, acredita que o Brasil tem grandes oportunidades para aumentar a participação dessa fonte renovável na matriz elétrica. “O potencial do País em energia eólica é de 300 mil MW”, diz ele, que também vendeu 90 MW de energia no leilão da empresa Brennand Energia. O executivo comenta que no Brasil o fator de capacidade de geração está na casa de 40%, ante 22% da Europa. Ou seja, aqui as unidades geram mais energia por MW instalado.
(O Estado de São Paulo)

http://inforlegis.blogspot.com/2010/08/energia-eolica-ja-e-uma-das-mais.html

Portugal ganha liderança em energia limpa

08/09/2010

De sua edição semanal na Folha de S.Paulo desta Segunda 30/ago:

Por ELISABETH ROSENTHAL

LISBOA – Há cinco anos, os líderes de Portugal, nação ensolarada e varrida pelo vento, fizeram uma aposta: para reduzir a dependência do país em relação aos combustíveis fósseis importados, eles implementaram diversos projetos ambiciosos de energia renovável, aproveitando o vento, os rios, o sol e as ondas locais.

Hoje, os bares de Lisboa, as fábricas da cidade do Porto e os glamourosos resorts do Algarve são alimentados substancialmente por energia limpa. Quase 45% da eletricidade colocada na rede portuguesa neste ano virá de fontes renováveis.

E Portugal espera se tornar no ano que vem o primeiro país a inaugurar uma rede nacional de abastecimento de carros elétricos.

“Já vi todos os sorrisos -você sabe: ‘É um bom sonho, [mas] não dá para competir, é caro demais'”, disse o primeiro-ministro José Sócrates.

Para estimular a transição energética, o governo reestruturou e privatizou antigas estatais elétricas, para criar uma rede mais adequada às fontes renováveis de energia. Para atrair empresas privadas ao novo mercado, Lisboa ofereceu-lhes contratos que selavam um preço estável por 15 anos.

Antigas preocupações sobre a confiabilidade e o custo elevado foram superadas. As luzes se acendem em Lisboa mesmo quando o vento não sopra na ampla usina eólica do Alto Minho, inaugurada há dois anos. Os custos da produção elétrica e as tarifas ao consumidor estão em torno da média europeia.

Portugal diz que tem conseguido manter os custos baixos por priorizar as formas mais baratas de energia renovável -eólica e hidrelétrica- e reduzir gradualmente subsídios pagos para convencer empresas a construir novas usinas. Quando a nova infraestrutura estiver completa, o sistema vai custar anualmente cerca de ? 1,7 bilhão a menos do que antes, segundo Manuel Pinho, ex-ministro de Economia e Inovação e um dos principais mentores da transição.

No ano passado, pela primeira vez, Portugal exportou mais energia do que importou, ao vender uma pequena quantidade de eletricidade para a Espanha. Dezenas de milhares de portugueses trabalham no setor.
A Energias de Portugal, maior empresa do setor no país, é dona de usinas eólicas em Iowa e no Texas, por intermédio da sua subsidiária americana, a Horizon Wind Energy.

Portugal deu o primeiro passo em 2000, ao separar a distribuição da produção. O governo adquiriu, a preços de mercado, todas as linhas de transporte de eletricidade e gás. Em seguida, leiloou contratos para que empresas privadas construíssem e operassem usinas eólicas e hidrelétricas.

Manter o país à base das forças altamente imprevisíveis da natureza é algo que exige novas tecnologias, além de habilidades dignas de um malabarista.

A estatal Redes Energéticas Nacionais usa um sofisticado sistema para prever o clima, especialmente o vento, e desde o início da transição duplicou o número de controladores encarregados de direcionar a eletricidade.

“É uma operação em tempo real, e há muito mais decisões a serem tomadas -a cada hora, a cada segundo”, disse Victor Baptista, diretor-geral da REN.

Alguns dos programas combinam energia eólica e hidrelétrica: turbinas alimentadas pelo vento empurram água morro acima durante a noite, o período em que venta mais; durante o dia, quando há maior demanda, a água desce o morro, gerando eletricidade.

O sistema de distribuição em Portugal agora também é de mão dupla. Em vez de simplesmente entregar a eletricidade, ele capta energia até dos menores geradores, como painéis solares instalados no teto de imóveis.

A enorme aposta portuguesa na energia limpa não agradou a todos -inclusive a muitos ambientalistas para os quais as turbinas eólicas interferem no comportamento dos pássaros, e as represas destroem o habitat do sobreiro, árvore de que é feita a cortiça.

O preço da eletricidade doméstica em Portugal aumentou 15% em cinco anos, segundo a Agência Internacional de Energia. Além disso, os projetos de energia limpa nem sempre geram muitos empregos. Há mais de cinco anos, por exemplo, a isolada cidade de Moura recebeu a maior usina solar de Portugal.

Mas, se 400 pessoas construíram a usina, só 20 a 25 trabalham lá agora.
Apesar disso, especialistas consideram a experiência portuguesa um notável sucesso, e outros países estão imitando-a. Segundo a consultoria americana IHS Emerging Energy Research, até 2025 Irlanda, Dinamarca e Reino Unido também obterão 40% da sua eletricidade de fontes renováveis.

Os EUA ficarão para trás, com 16%.

“A experiência de Portugal mostra que é possível fazer essas mudanças em um período curtíssimo”, disse Sócrates.