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É com renovável que cresce a economia

08/10/2010

Postado por André Amaral – 7 out 2010 às 4:51

 

O Ministério do Meio Ambiente alemão publicou hoje um novo estudo sobre a indústria renovável do país. Mostra que o número de empregos gerados por esta indústria chegou a 340 mil em 2009, dobrando nos últimos 5 anos.

A título de comparação, a indústria nuclear alemã gerou, no mesmo período, 30 mil empregos.
Fonte: Greenpeace Brasil

Mudança climática, política energética e fontes renováveis

19/09/2010

 
Heitor Scalambrini Costa
Professor associado da Universidade Federal de Pernambuco
Cada vez mais a sociedade mundial toma consciência dos impactos que vem ocorrendo com as mudanças climáticas devido ao aumento das emissões de dióxido de carbono e de outros gases, principalmente pelo uso dos combustíveis fósseis: petróleo, carvão mineral e gás natural. A concentração de CO2 já está em 389 ppm (partes por milhão), com um aumento médio de 2 ppm por ano, ou seja, já estamos quase em 400 ppm, apontado como nível temerário em artigo publicado pela Revista Science em 2008.
 
Existe uma corrente minoritária que ainda defende a tese de que o aquecimento global é fruto de um periódico aquecimento de nosso planeta resultante de influências externas como o ciclo solar, alterações na posição da órbita terrestre e, em conseqüência, da distância da terra em relação ao Sol e de impactos de meteoritos. Recentemente mudou de lado, a maior expressão daqueles que não aceitavam a existência da participação humana no aquecimento global, e que desprezavam as recomendações do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), o professor dinamarquês Bjorn Lomborg, autor do livro “O Ambientalista Cético”.

Vários países, em particular o maior emissor de CO2 do mundo, os Estados Unidos, tem implantado em alguns estados, regras rígidas para aumentar a fatia de energias renováveis e alternativas para a produção de eletricidade no país, além de ampliar os programas de conservação e eficientização na produção e no consumo de energia.
 Na Austrália, maior exportador mundial de carvão mineral, o ministro de Mudanças Climáticas, anunciou recentemente três prioridades para a sua pasta: energias renováveis, eficiência energética e a introdução de um preço sobre as emissões de dióxido de carbono. Na Europa, cada vez mais se tem expandido a oferta de eletricidade com o estímulo e apoio a energia eólica e solar (térmica e fotovoltaica).
 
Em 2020, a China espera aumentar 15% a sua dependência de energia solar e eólica. Em resposta a este objetivo, no ano passado, o governo chinês lançou uma campanha para apoiar estas tecnologias. O futuro das alterações climáticas assenta, em grande medida, na capacidade da China para liderar o mundo para as energias renováveis.
 Não há solução rápida ou simples para a mudança climática. Seus desafios exigem uma variedade de estratégias e ações nos níveis local, regional e mundial. A redução substantiva das emissões de gases de efeito estufa é a prioridade imediata, ou seja, a redução no consumo dos combustíveis fósseis. Felizmente, ferramentas para alcançar isto já estão disponíveis àqueles que fazem as políticas, ao setor privado e ao público. Verifica-se que vários países estão fazendo o seu papel no combate as mudanças climáticas obtendo uma melhoria da competitividade das energias renovável em relação às fósseis, e dada ênfase para a conservação e a eficiência energética.
 
Lamentavelmente em nosso país (ranqueado entre os 5 maiores emissores mundiais de CO2) o planejamento energético governamental até 2030 aponta na contramão do combate às mudanças climáticas, prevendo a construção de mega-hidrelétricas na região norte, a construção de novas usinas nucleares, e a expansão de termelétricas movidas com combustíveis fósseis.
 
O aumento da participação na matriz energética das fontes renováveis como a energia eólica, a energia solar (térmica e fotovoltaica), as termelétricas a biomassa, e a energia dos oceanos, é relegado a mero exercício de retórica. Sem falar nos programas de conservação e eficientização energética que não recebem o apoio necessário, e, portanto, apresentam resultados pífios.
 
A expansão da oferta de energia é dirigida principalmente para um segmento do setor industrial (que consome 40% de toda energia consumida no país), as indústrias eletro-intensivas de cimento, ferro-gusa e aço, ferro-ligas, não-ferrosos e outros da metalurgia, química, papel e celulose. Trata-se de setores produtivos que se caracterizam por consumir uma quantidade muito grande de energia elétrica por unidade de produção, e que tem sido mais beneficiado, principalmente pelo baixo preço da energia.
 Os interesses em jogo estão relacionados à questão econômica, aos interesses bastardos de grupos sociais que pretendem manter seus privilégios num mundo que já está vivendo seu limite de crescimento. Sem nenhuma dúvida podemos afirmar que a falta de decisão política tem freado o desenvolvimento e a implantação significativa das fontes energéticas renováveis em nosso país, particularmente da energia solar e eólica.
 Ao rechaçar a atual política energética devemos construir uma nova política que resgate o interesse público, e que acabe com a falta de transparência, democratizando as decisões sobre as escolhas das opções energéticas para o país

Construção de Angra 3 vai contra a tendência de uso de energia renovável

09/06/2010

Brasil | 02.06.2010  

Angra 2

 

 

 

 

 

 

 

 

Obras de Angra 3, desativada desde 1986, serão retomadas. Brasil sempre contou com know-how da Alemanha – onde construção de novas usinas nucleares é assunto proibido.  

   

   

  Mais de 40 anos depois de sua concepção original, tudo indica que a terceira usina nuclear brasileira vai ser finalizada. O Diário Oficial da União publicou no início desta semana a licença que autoriza a construção do prédio que vai abrigar o reator de Angra 3.  

 O governo brasileiro enxerga na nova usina a chance de reduzir os riscos do déficit de energia elétrica. Angra 3 terá capacidade de fornecer 1.405 MW de energia, o que deverá ajudar a abastecer a região sudeste a partir de 2015.  

A nova planta não está envolta na polêmica que ainda acompanha a usina hidrelétrica de Belo Monte, mas não deixa de ter uma pitada de controvérsia.  

  Parada no tempo  

 As obras em Angra dos Reis aguardam um recomeço desde 1986. Depois da aparente superação da série de dúvidas que interromperam a construção da usina – tais como falta de recursos públicos, custo alto e desconfiança quanto à sua conveniência –, o projeto ainda enfrenta alguns questionamentos externos.  

 “Alguns equipamentos antigos já foram entregues e estão lá, esperando para serem usados por anos e anos. Recomeçar esse projeto é realmente um caso de segurança. A história mostra que recomeçar projetos antigos sempre traz à tona problemas relacionados a custo e tempo”, observa Heinz Smital, especialista em energia nuclear do Greenpeace na Alemanha.  

  De fato, a decisão de se construirem as três usinas nucleares na cidade de Angra dos Reis foi tomada pelo governo em 1968. As obras de Angra 1 começaram em 1970 e a usina foi conectada ao sistema somente em 1982 para, três anos depois, começar a fornecer eletricidade comercialmente.  

  A segunda usina entrou em operação em 2001, enquanto as obras de Angra 3, naquela época, já estavam paralisadas há cinco anos. Foi só em 2007 que o governo resolver retomar o projeto com vigor.  

  “Em 20 anos, foram muitas as mudanças de design de usinas nucleares. Algumas foram adaptadas, outras não. Angra 3 é um caso único na história. Há muitos problemas escondidos na complexidade dessa construção”, avalia Heinz, que acompanha a discussão brasileira.  

  No entanto, a empresa Eletrobrás assegura que os equipamentos antigos adquiridos estão em “ótimas condições para uma operação confiável e segura da planta”.  E que eles “apresentam os mesmos projetos de engenharia e os mesmos métodos fabris e construtivos que aqueles em operação nas usinas alemãs mais recentemente construídas – as usinas da série Konvoi, que, desde o início do funcionamento comercial, vêm se colocando entre as usinas nucleares de melhor desempenho operacional no mundo.”  

  A última usina nuclear construída na Alemanha data de 1989. Os reatores do tipo Konvoi são usados em cinco nas usinas alemãs nas localidades de Neckarwestheim,  Isar e Emsland, segundo dados da produtora.   

Painel de energia fotovoltaica em Freiburg, na Alemanha

 Na contracorrente  

Enquanto cresce a aposta no uso das energias renováveis como solução limpa para um futuro comprometido pelas mudanças climáticas, o ritmo de construção de usinas nucleares desacelera. Curiosamente, 2008 foi o ano em que o mundo não assistiu à implantação de qualquer nova usina do tipo.  

“É muito claro que novas construções de usinas atômicas não são aceitas na Alemanha. Isso já foi esclarecido pela população e por todos os segmentos da sociedade. Os partidos políticos decidiram que não vão apoiar novas usinas. A única questão ainda não resolvida é quanto tempo as já existentes irão continuar em operação”, esclarece Heinz Smital, especialista em energia nuclear do Greenpeace na Alemanha.  

E esse é assunto ainda em andamento no cenário político. Atualmente, 17 reatores estão em funcionamento na Alemanha e o país não apoia o prolongamento da vida útil das usinas.  

Usina nuclear em Kahl no Meno, Alemanha

Relações alemãs desde o início 

Se a população alemã se opõe à ideia de aumentar a oferta interna de energia nuclear, é daquele país que vêm os maiores parceiros para a construção das usinas de Angra. 

Em 1975, Brasil e Alemanha assinaram um acordo de cooperação na área – os brasileiros passam a ter acesso ao ciclo completo de abastecimento. Naquele mesmo ano, o governo brasileiro adquiriu os dois primeiros reatores da empresa alemã Siemens/KWU. 

O projeto de Angra 3 também é Siemens/KWU, atual Areva NP. O investimento em equipamentos já adquiridos é de 600 milhões de euros, mas até 2015 deve chegar a 8,4 bilhões de reais. 

O governo Lula ainda trabalha com a proposta, apresentada pelo Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro, de construção de mais quatro usinas nucleares com capacidade de 1.000 MW cada. 

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Simone Lopes 

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5643100,00.html