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Debate sobre energia nuclear pode mudar de rumo

15/03/2011

 

A possibilidade de um acidente no Japão pós-tsunami pode enfraquecer politicamente a opção pela garação de energia a partir de fissão nuclear

11 de março de 2011 | 21h 09

Karina Ninni – estadao.com

Com o anúncio de crescente risco de um acidente nuclear no Japão por conta do tsunami que atingiu o país e que desestabilizou a usina nuclear de Fukushima, onde se confirmou um vazamento de material radioativo, as discussões sobre a geração de energia via fissão nuclear podem tomar um novo rumo.

Quem afirma é o professor José Eli da Veiga, titular do departamento de economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) que lança, no próximo dia 16, um livro sobre o tema. Em Energia Nuclear: do anátema ao diálogo (São Paulo, Editora Senac, 2011), Veiga reuniu quatro experts sobre o assunto no Brasil  – o físico José Goldemberg, o engenheiro naval Leonam dos Santos Guimarães, o engenheiro químico João Roberto Loureiro Mattos e o engenheiro civil Oswaldo dos Santos Lucon – para oferecer visões distintas sobre o tema, que causa tanta controvérsia entre os próprios cientistas.

Em entrevista exclusiva, José Eli da Veiga falou ao estadao.com:


Pelo que se percebe, o tema energia nuclear ainda causa muita polêmica. No primeiro capítulo do livro, assinado por você, afirma-se que à análise fria dos fatos se contrapõe uma ‘retórica afetiva’. Por que o assunto ainda hoje é tratado de forma mais passional do que racional?

No Brasil, não há discussão fora do meio acadêmico, o que é chocante. Mas percebo que as pessoas, ao se colocarem contra ou a favor das usinas nucleares, não se posicionam por conhecimento de causa, e sim por uma ou outra experiência pessoal. Por exemplo: eu trouxe dos EUA um adesivo que fazia objeção a armas nucleares. Colei na minha sala. Um aluno veio me ver e afirmou que tinha achado um erro o Brasil estipular na Constituição que não desenvolveria armas nucleares (segundo a Constituição de 1988, as atividades nucleares ficaram restritas a “usos pacíficos”). Então as pessoas se posicionam com base em seus credos e não com base no conhecimento de causa.


Há algum consenso entre a comunidade científica quando o assunto são usinas nucleares?

Por incrível que pareça, não. Esse é o tema do livro: a controvérsia. Por exemplo: diante da ideia disseminada de que um país que adquire tecnologia para gerar energia nulear estaria a um passo de produzir armamentos nucleares, poderia parecer óbvio que, quanto menos países tivessem acesso a essa tecnologia, mais a salvo estaria o mundo. Mas nem isso é consenso. Grandes nomes da ciência política, como Keneth Waltz, da Universidade de Berkley, defendem que o ideal é que cada vez mais mais países tenham acesso à tecnologia nuclear.


Um acidente como o de Chernobyl provoca nas pessoas certa ojeriza à opção de geração de energia por meio de fissão nuclear. Mas, no livro, você cita fontes que afirmam que os efeitos de Chernobyl não foram tão catastróficos assim. Você acredita que a sociedade atenta para o nível de periculosidade de uma usina do gênero ou o prórpio risco de acidentes já delineia o posicionamento das pessoas acerca do tema?

Eu cito no livro um ecólogo e ambientalista, o Stewart Brand, que afirmou que as consequências de Chernobyl foram infinitamente menores do que se imagina. Ele fez essas observações com base em um estudo da ONU, que afirmava que os impactos não seriam o que se imaginava. Eu também tinha a opinião de que Chernobyl foi a gota d’água, a prova de que realmente a geração de energia nuclear era um risco imenso, que não valia a pena se correr. Agora, estou em dúvida. Os que defendem a geração de energia nuclear afirmam que Chernobyl era uma usina antiga, com uma tecnologia completamente ultrapassada.


Você acha que as discussões sobre emissões e aquecimento global alteraram as bases do debate sobre as matrizes energéticas no mundo?

Com certeza. O número de pessoas que a vida toda foram contra a geração de energia nuclear e agora estão mudando de opinião é cada vez maior. Elas estão se perguntando: faz sentido, hoje, com tudo o que se sabe sobre o carvão e suas emissões, gerar energia a partir dele? Agora, eu não sou um expert no assunto ‘energia nuclear’. O que me propus a fazer foi apresentar os argumentos, por meio de artigos de especialistas, por que me dei conta da evolução que o debate estava tendo mundo afora.


O premiê japonês acaba de mandar evacuar uma área ao redor da usina nuclear de Fukushima, onde se confirmou um vazamento de material radioativo do reator 1. Segundo as agências noticiosas, os níveis de radiação em torno do complexo aumentaram oito vezes nas últimas horas em um ponto de checagem do lado de fora do usina e estão mil vezes maiores do que o normal na sala de controle do reator. Isso pode alterar a reavaliação que está sendo feita sobre geração de energia nuclear?

Certamente. Se acontecer um acidente com a usina japonesa, a ideia de gerar energia através de tecnologia nuclear perde muita força politicamente, agora que o debate está muito avançado internacionalmente nos meios acadêmicos, até por conta do aquecimento global e suas causas. Atualmente, existem aqueles que defendem que há um renascimento dos investimentos em energia nuclear, com é o caso do Leonam, que assina um capítulo do livro, e os que afirmam o contrário, como o Goldemberg. Agora, no caso do Japão, o mero aumento dos níveis de radiação não quer dizer nada à primeira vista. Precisamos esperar pelos fatos.


E hidrelétricas? Você acredita que, sendo a Amazônia nossa mais nova fronteira energética, celeumas como a que vem se travando em torno de projetos como o de Belo Monte influenciam o debate?

É claro. Um dos grandes argumentos contra a geração de energia por meio de usinas nucleares é o aproveitamento do potencial hidrelétrico da Amazônia. Agora, se você me perguntar, como cidadão brasileiro, se eu sou a favor do aproveitamento de todas as quedas d’água da Amazônia, eu vou dizer que não. Acho que há rios em que não se deve mexer. Mas é claro que sabemos que a energia hidráulica é muito mais barata que a nuclear. A construção de usinas de última geração está ficando cada vez mais cara, até por conta dos requisitos de segurança que hoje se tem.


Você cita no livro que a geração de energia eólica e solar é intermitente e, portanto, só pode ser complementar. Isso é consenso entre e comunidade científica?

Sim. Agora, não significa que precisa ser sempre assim. Quanto mais se investir em pesquisa para geração de energia solar e eólica mais chances essas fontes têm de ser competitivas. Um exemplo é a captação de energia solar no espaço. Os satélites já funcionam à base de energia solar. A tecnologia para gerar energia solar no espaço nós já temos. Mas não temos como transmiti-la para a Terra.

O livro Energia Nuclear: do anátema ao diálogo será lançado dia 16 de março, às 15h, na Auditório da FEA/USP, com uma mesa redonda que contará com o organzador do livro, José Eli da veiga, o físico José Goldemberg e o engenheiro Leonam dos Santos Guimarães.

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,debate-sobre-energia-nuclear-pode-mudar-de-rumo,690789,0.htm

“Não há espaço para que o nuclear entre no país”

19/11/2010
António Sá da Costa
27 Outubro 2010 | 16:19
Miguel  Prado  – miguelprado@negocios.pt
 

 

O presidente da Apren acredita que é impossível Portugal vir a acolher energia nuclear até 2020… tal como Cristiano Ronaldo vir a jogar no Futebol Clube da Picheleira no próximo ano.
O presidente da Apren, a associação portuguesa de energias renováveis, é categórico: “Não há espaço para que o nuclear entre no país”, afirma António Sá da Costa, assinalando que os planos governamentais traçados até 2020 contemplam apenas renováveis e centrais térmicas a gás natural.

António Sá da Costa recorreu a uma curiosa analogia futebolística para reafirmar a sua convicção. “Podemos discutir o que quisermos sobre o nuclear, mas até 2020 não há espaço nenhum. Da mesma maneira que podemos dizer que Cristiano Ronaldo vai jogar no próximo ano no Futebol Clube da Picheleira. Não vai jogar”, apontou o presidente da Apren.

Falando na conferência que a Apren está a realizar em Lisboa sobre “Electricidade renovável”, em parceria com o Negócios, António Sá da Costa voltou a criticar a falta de ambição do Governo nas suas metas para a potência solar a alcançar em 2020. A estratégia do Governo estima uma capacidade solar de 1.500 megawatts (MW), mas o sector privado acredita num potencial para 2.500 MW.

“A Alemanha prevê para 2020 que 7,6% da sua electricidade tenha origem solar e a Alemanha tem muito menos insolação que Portugal [que propõe pouco mais de 2% de contributo da energia solar para a geração eléctrica em 2020]”, referiu António Sá da Costa.

Na mesma conferência, o director geral de Energia e Geologia, José Perdigoto, já havia afirmado que “Portugal terá de fazer um esforço grande para cumprir as metas”, mas que “muito do trabalho já está feito”, dado que boa parte da potência prevista para 2020 já foi licenciada ou está em fase de concurso.

Por outro lado, José Perdigoto, afirmou que “o sistema energético tem de contribuir para a economia, mas também tem de ser sustentável por si só”.

Eduardo Oliveira Fernandes, outro dos oradores da conferência da Apren, aproveitou a sua intervenção para sublinhar a importância da aposta do país nas renováveis, referindo que “seria um erro de lesa pátria se alguém pusesse areia nesta engrenagem”.

1º Festival Internacional de Filme sobre Energia Nuclear

21/10/2010

O 1º Festival Internacional de Filme sobre Energia Nuclear vai acontecer em Maio 2011 no Rio de Janeiro e em Junho 2011 em São Paulo. O Festival pretende informar a sociedade e estimular produções independentes audiovisuais sobre energia nuclear e todo o ciclo nuclear, os riscos da radioatividade e especialmente sobre exploração, mineração e o processamento de Urânio. Toda sociedade, todo povo tem o direito de escolha. Mas para decidir, é necessário informação. Acreditamos que informação independente é essencial  para o cidadania global. Informação independente é o básico para decisões independentes. 
O segundo objetivo do Festival é a criação do Arquivo Amarelo. A cor amarela é o símbolo da energia nuclear. Até o momento a maioria dos documentários independentes sobre este assunto é produzido em línguas não lusofônicas, geralmente em inglês, alemão e francês. O Arquivo Amarelo será a primeira cinemateca de filmes sobre energia nuclear legendados em português e estará disponível para escolas, universidades e interessados em geral, sem fins lucrativos. Deste modo, o Festival vai continuar a viajar por todo o Brasil, América Latina e mundo lusofônico. Além de atrair o público cinéfilo, o Festival contará com a presença de cineastas e jornalistas nacionais e internacionais. Também será dada uma atenção especial ao público escolar, havendo sessões especiais para escolas públicas e privadas. 
Também estão planejados eventos parelelos ao Festival: Debates e palestras sobre Energia Nuclear com convidados – especialistas e ativistas nacionais e internacionais do movimento contra mineração de urânio e pessoas afetadas pela mineração de urânio ou por outras instalações do ciclo nuclear. Exposição nuclear no famoso Centro Cultural Parque das Ruínas, em Santa Teresa, com cartazes dos movimentos sociais no mundo sobre Energia Nuclear, abrangendo o período de 1970 até 2010. E uma exposição com fotos do maior acidente radioativo em área urbana do mundo, Goiânia, 1987.
Nós acreditamos que o Festival Urânio em Movi(e)mento é muito importante não só para o Brasil, como também para a América Latina e especialmente para os outros países lusofônicos na Europa, África e Ásia. O evento vai ajudar a discutir a questão nuclear global. O Rio de Janeiro não é apenas o centro de energia nuclear do Brasil, mas também será a sede da Copa do Mundo em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016. E não podemos esquecer que em 2012 o Rio de Janeiro irá comemorar 20 anos do Earth Summit 1992 (ECO 92) e com a sua ajuda iremos realizar, paralelo à Rio+20, o 2º Festival Internacional de Filme sobre Energia Nuclear no Rio de Janeiro.
Márcia Gomes de Oliveira
 Norbert G. Suchanek
Contato
Site: http://www.uraniumfilmfestival.org/
Email: info@uraniumfilmfestival.org
Fonte: http://perigoconcreto.blogspot.com/2010/10/1-festival-internacional-de-filme-sobre.html