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Insanidade atômica

30/10/2010

Após parecer contrário ao licenciamento por parte de seus técnicos, a Comissão Nacional de Energia Nucelar (Cnen) manobra para licenciar Angra 3 sem considerar aspectos essenciais de segurança
Um relatório incompleto foi entregue pela Eletronuclear à Cnen e a análise deste documento resultaria, em 31 de maio de 2010, na licença para construção da nova usina. A história envolve um programa misterioso, relações comprometidas entre empresas e órgão fiscalizador e outros fatores.
Em 2007 e em 2008, o documento foi revisado, deixando de lado pontos importantes como a análise probabilística de segurança e acidentes severos. Os critérios para gerenciamento de acidentes também não constam no projeto, evidenciando a falta de protocolos em caso de acidentes.
Angra 3 é um reator Konvoi alemão, desenhado na década de 70, antes dos grandes acidentes nucleares e, portanto, sem as melhorias advindas a partir desses
grandes acontecimentos e de 40 anos de avanço tecnológico.
Da forma como está não seria aceito para uso em lugar algum do mundo por ferir diferentes normas nacionais e internacionais.
Um dos técnicos responsáveis pelo licenciamento de Angra 3 – que deu parecer contrário e agora passa por sindicância interna, como forma de repressão por
ter falado aos jornais – denuncia: “Os critérios de segurança pós-TMI exigem, entre outras coisas, um novo projeto para o edifício do reator de Angra 3, com requisitos
adicionais para a contenção, última barreira contra a liberação de material radioativo”(Jornal do Brasil, 31/03/2010).
Este licenciamento, sem considerar a segurança e tentando burlar a lei colocando os relatórios essenciais de segurança como condicionantes, é o maior exemplo do descaso que o programa nuclear tem com a população. Precisamos de transparência no setor.
A Cnen poderá incluir em sua página da internet os documentos de engenharia comprobatórios. Por que não? Isto é transparência do licenciamento.
Nos Estados Unidos, a Nuclear Regulatory Commission (NRC) divulga a documentação de licenciamento das usinas nucleares americanas há décadas. Basta ir à página
na internet (www.nrc.gov) e verificar as informações.
A verdade é que o programa nuclear está com pressa. A progressiva redução dos preços de energias renováveis, limpas e seguras, pode descartar a tecnologia nuclear no futuro.
Refazer contrato, projeto e licença pode demorar muito tempo. Pode inviabilizar o projeto de Angra 3.
Pode até mesmo sair mais caro que um novo e moderno reator, caso o fabricado na década de 1970 tenha que ser redesenhado.

Ricardo Baitelo
Engenheiro Elétrico e coordenador da campanha de energias renováveis do Greenpeace Brasil.
André Amaral
Biólogo e coordenador da campanha de energia nuclear do Greenpeace Brasil.

Fonte: Revista do CREA-RJ 83

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ELETRONUCLEAR, E AÍ -CADÊ A COMUNICAÇÃO SOCIAL DO PLANO?

23/09/2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Tenho dito reiteradas vezes, a empresa responsável pela Usina Nuclear, a Eletronuclear, embora respeitada e bastante responsável, comete uma falha gritante -a meu ver- quando se nega  peremptóriamente, por intermédio de sua deseducada diretora de comunicação, a estabelecer na cidade onde estão a Usina e o depósito de lixo radioativo, uma central de comunicação social institucional. Em Angra todos os profissionais de mídia reivindicam isso. Posso citar tranquilamente empresas como a Petrobrás e a Technip que tem em seus quadros administrativos esse serviço. Reafirmo, aproveitando a proximidade de mais uma edição do exercício simulado, que a parte de comunicação social é falha. A

resistência da diretora citada não pode ser superior a necessidade de se ter essa interlocução na cidade. Esse papo de que tudo é globalizado e de  que a conversa pode se dar pelo e-mail, além da afirmativa dessa senhora de que isso não acontece por que a empresa não tem dinheiro, parece mais um cochicho entre desinformados numa esquina abandonada qualquer que propriamente uma resposta que se possa considerar no mínimo discutível da empresa. Podem fazer o exercício que quiserem, mas sem os meios de comunicação local interagindo diretamente, não vira. É falho. Quando tocar a sirene e for à vera, só os meios de comunicação local é que terão a capacidade de orientar a população, e por isso -entre muitas outras justificativas plausíveis e sensatas, é que peço a alta direção da empresa que reconsidere esse absurdo desmedido e atue mais profissionalmente conosco. É isso!

01h42min.      –        adelsonpimenta@ig.com.br

Angra 1 volta a funcionar após princípio de incêndio

19/09/2010

REUTERS

A Eletronuclear, braço da Eletrobras para energia nuclear, informou que a usina de Angra 1 foi desligada na madrugada de domingo e religada na manhã desta segunda-feira por conta de um princípio de incêndio em uma parte convencional da usina, sem contato com radioatividade.

“O princípio de incêndio foi rapidamente debelado e verificou-se que ocorreu em uma manta de isolamento térmico usada em trabalhos de manutenção e próxima à parede da tubulação de um dos reaquecedores e separadores de umidade do vapor que aciona as turbinas principais da usina”, explicou a Eletronuclear.

Por estar perto do gerador elétrico principal –pressurizado com hidrogênio– decidiu-se iniciar a desconexão da usina, que já funciona normalmente e está em processo de aumento de potência.

A última vez que a usina teve de ser desligada foi em 2 de setembro, quando foi necessário fazer reparos no circuito de hidrogênio do sistema de resfriamento do gerador elétrico principal, também uma parte convencional da usina, sem qualquer contato com radioatividade, segundo a Eletronuclear.

Enquanto isso, a Eletronuclear já recebeu autorização para iniciar a concretagem para a construção da usina Angra 3. Também localizada em Angra dos Reis (RJ), a obra prevê investimento de 8,4 bilhões de reais, segundo cálculos de junho de 2009. A potência instalada será de 1.405 megawatts (MW).

Em 27 de agosto, a Eletronuclear e a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE) assinaram um termo de cooperação para dar início ao estudo preliminar de seleção de locais para a construção de usinas nucleares no Norte e Nordeste.

(Por Carolina Marcondes)