Posts Tagged ‘descontaminação’

Greenpeace critica trabalho incompleto

02/05/2010

 O Estado de S.Paulo

Para o coordenador da Campanha de Nuclear do Greenpeace, André Amaral, o armazenamento de rejeitos radioativos na usina deveria ser provisório. A previsão era de que o terreno estaria limpo em 1994 e o prazo foi prorrogado por mais dois anos. “O galpão atingiu a maioridade, mesmo com ordem para que fosse retirado num prazo de dois anos. O grave é que eles anunciam só agora um trabalho ainda incompleto. A região cresceu, há mais pessoas morando em volta. Hoje o risco de contaminação, em um vazamento, é maior.”

Segundo ele, os danos da contaminação radioativa nas pessoas são irreversíveis e difíceis de quantificar. “A vítima pode não sofrer consequências como câncer imediatamente, mas seu filho ou neto podem desenvolver essa doença, nascer com malformação. Fica para sempre.”

Valter Mortagua, da INB, afirma que há monitoramento do solo, da água subterrânea e da radiação na propriedade, com fiscalização do Estado e da Comissão Nacional de Energia Nuclear. “É areia. Ou seja, não se dissolve na água e, portanto, não poderia contaminar o lençol freático.”

O vereador Ítalo Cardoso (PT) diz que vai questionar a INB sobre a intenção de manter no galpão a areia radioativa. “Eles querem transformar o galpão em solução definitiva.”/ C.T.

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Vizinhos mais novos nem sabiam sobre o risco

02/05/2010

 O Estado de S.Paulo

Falar em “descontaminação” no bairro Campo Grande, em Interlagos, na zona sul de São Paulo, é sinônimo de alívio para os moradores mais antigos da área, acostumados a viver ao lado do terreno das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), 54 mil metros quadrados rodeado de placas “Perigo: Risco de Radiação”.

Para moradores recentes, porém, a contaminação do terreno vizinho é uma surpresa. “Contaminado? Consultei vários corretores e não disseram nada. Se soubesse, pesquisaria mais”, afirma o gerente de vendas Thiago Lopes, de 26 anos, que comprou apartamento em junho, em condomínio do lado do terreno.”Só espero que limpem direito.”

“Já imaginou uma usina nuclear desativada ao lado de sua casa? Dizem que não traz risco, mas uma coisa eu sei: já vai tarde”, resumiu o contador Antônio Costa, de 61 anos, morador da Rua João Ferreira de Abreu, próxima ao terreno da INB. “Desde que cheguei aqui, em 1982, falam em desativar e descontaminar. Espero que agora aconteça mesmo”, afirma Costa.

Entorno. O perímetro definido pela Comissão Nacional de Energia Nuclear para verificação de radioatividade no entorno é formado por 25 quarteirões residenciais, com praças, clube comunitário e duas escolas públicas, além de seis grandes indústrias, como a empresa de cosméticos Avon e a sede da montadora Peugeot. A conclusão dos técnicos foi de que o índice é aceitável.

Ainda assim, outra moradora antiga do Campo Grande, a dona de casa Eugênia Araújo de Sá, de 60 anos, diz sentir “algo estranho” quando passa por ali. “Bate uma dúvida. Será que posso ter algum problema? E para as crianças? Melhor que limpem tudo mesmo, de uma vez”, disse.

A área, industrial nas décadas de 1960 e 1970, é cada vez mais explorada pelo mercado imobiliário ? somente nos arredores do terreno da INB, há três lançamentos residenciais, com até oito torres cada um. O templo católico Mãe de Deus, cuja construção é coordenada pelo padre Marcelo Rossi, fica em terreno vizinho à área contaminada. / VITOR HUGO BRANDALISE