Posts Tagged ‘Contaminação’

Efeitos de Chernobyl podem durar séculos

13/09/2010

24/08/2010  

Autor: Pavol Stracansky   –   Fonte: IPS/Envolverde

Kiev, Ucrânia, 24/8/2010 – Quase 25 anos depois do pior acidente nuclear da história, novas descobertas científicas sugerem que os efeitos da explosão em Chernobyl foram subestimadas. Especialistas publicaram, no mês passado, uma série de estudos indicando que, contrariando conclusões anteriores, as populações de animais diminuíram na área de exclusão em torno do lugar onde funcionava a antiga central nuclear soviética, e que os efeitos da contaminação radioativa depois da explosão foram “assombrosos”. Cada vez mais javalis com altos níveis de césio são encontrados no lugar.

Esta informação foi divulgada meses depois que médicos na Ucrânia e Bielorússia detectaram aumento nas taxas de câncer, mutações e doenças do sangue, que pensam estar relacionado com Chernobyl. Por outro lado, uma pesquisa norte-americana publicada em abril constatou aumento nos defeitos de nascença, aparentemente devido à exposição continuada a doses de radiação de baixo nível.

Para ativistas contrários à energia atômica, esses estudos demonstram que os moradores da região afetada sofrerão consequências devastadoras, talvez por séculos. “Este é um problema que não acabará em poucos anos. Estará ali por centenas de anos”, disse à IPS Rianne Teule, da organização Greenpeace. “As novas pesquisas confirmam que os problemas são maiores do que disseram em 2006 a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e continuarão existindo e aparecendo em outros estudos. Não é algo que acaba logo”, acrescentou.

A catástrofe aconteceu em abril de 1986 quando explodiu um dos blocos da central localizada na atual Ucrânia. Estima-se que a radioatividade total de Chernobyl foi 200 vezes maior do que as liberações combinadas das bombas nucleares lançadas pelos Estados Unidos em 1945 sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. A explosão e os incêndios geraram uma gigantesca nuvem radioativa que se espalhou por toda a Europa, obrigando à evacuação de 350 mil pessoas de áreas próximas à usina.

Anos depois, a Organização das Nações Unidas (ONU), OMS, AIEA e outros organismos uniram-se aos governos de Rússia, Bielorússia e Ucrânia para criar o chamado Fórum Chernobyl, a fim de realizar um grande estudo sobre os efeitos do desastre e divulgar suas conclusões em 2006. A pesquisa concluiu que houve apenas 56 mortes diretas (47 socorristas e nove crianças com câncer de tireoide), e estimadas quatro mil mortes indiretas.

Entretanto, o informe foi duramente criticado por outros grupos, para os quais foi enormemente subestimado o número de mortes e o potencial do acidente. Alguns questionaram a postura da AIEA, que apoiou por décadas o uso de energia nuclear com fins pacíficos. Estudos alternativos contradiziam algumas das conclusões do Fórum Chernobyl e alertavam que os efeitos na saúde seriam muito mais devastadores.

O informe Torch, publicado em 2006 pelos cientistas britânicos Ian Fairlie e David Summer, menciona a incerteza sobre os efeitos na saúde pelas exposições a baixas doses de radiação ou a radiação interna por ingestão de alimentos contaminados. Também indicaram que foi subestimada, pelo menos em 30%, a quantidade de partículas radioativas liberadas pela explosão no meio ambiente.

Cifras oficiais dos países afetados também contradizem as conclusões do Fórum Chernoby. A Agência Internacional para a Pesquisa sobre o Câncer, da ONU, concluiu que o número mais provável de mortes relacionadas com o desastre seria de 16 mil, enquanto a Academia Russa de Ciências calculou que até agora ocorreram 140 mil mortes na Ucrânia e na Bielorússia e 60 mil na Rússia. A ucraniana Comissão Nacional de Radiação elevou esse número para 500 mil.

Médicos ucranianos e bielorussos informaram à imprensa da Ucrânia, no começo deste ano, que houve crescimento nos casos de câncer, na mortalidade infantil e em relação a outros problemas de saúde que, estão convencidos, são efeitos do desastre. “Os números apresentados pela ONU e AIEA não coincidem com os que outras agências das Nações Unidas prognosticam em termos de mortes por câncer”, disse Oksana Kostikova, do Hospital para o Câncer Infantil, de Minsk. Por outro lado, as 16 mil mortes apontadas pela Agência Internacional para a Pesquisa sobre o Câncer é uma “avaliação mais correta do que a que vemos diariamente”, acrescentou.

O médico norte-americano Wladimir Wertelecki publicou em abril os resultados de uma ampla pesquisa sobre os efeitos em nascimentos na Ucrânia, revelando maiores níveis de anomalias em certas regiões do país. Segundo o especialista, este fenômeno estaria relacionado com a exposição continuada a baixas doses de radiação. Wladimir afirmou que as descobertas do Fórum Chernobyl deveriam ser revisadas para que sejam conhecidos os reais efeitos do acidente atômico. “A posição oficial é que Chernobyl e os defeitos de nascença não estão relacionados. Essa posição deve ser reconsiderada”, afirmou

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Incêndio na Rússia consome florestas contaminadas por Chernobyl

24/08/2010
ALEXEI ANISHCHUK – REUTERS

Incêndios destruíram florestas contaminadas pela radiação do desastre nuclear de Chernobyl, informou uma autoridade florestal russa na quarta-feira. Não estava claro qual era o grau de perigo da fumaça.

Os líderes do Kremlin enfrentam os incêndios florestais mais mortais na Rússia desde 1972 –ao menos 54 pessoas morreram–e uma seca que destruiu plantações, depois de os meteorologistas terem informado que este é o verão mais quente do país no último milênio.

Os temores de disseminação da poluição nuclear oriunda do desastre de Chernobyl poderiam lançar a crise em um novo patamar, embora as autoridades afirmem que os níveis de radiação estão normais em Moscou. Um cientista afirmou que o nível de risco depende de onde exatamente ocorreram os incêndios.

“Sim, tivemos incêndios”, disse Vasily Tuzov, diretor adjunto da agência de proteção florestal da Rússia, à Reuters por telefone quando questionado se houve incêndios em florestas poluídas pelo acidente de Chernobyl, o pior desastre nuclear civil do mundo.

“A maior parte deles já foi apagada”, afirmou Tuzov.

Ele se recusou a dar mais detalhes sobre os incêndios, indicando um comunicado no site da agência que diz que foram registrados incêndios cobrindo uma área de 39 quilômetros quadrados em regiões com florestas poluídas por radiação.

As regiões afetadas incluem a província de Bryansk, que faz fronteira com a Ucrânia, fica a sudoeste de Moscou e foi poluída pela poeira radioativa que cobriu partes da Ucrânia, da Rússia, de Belarus e da Europa após uma série de explosões no reator número 4 de Chernobyl em 26 de abril de 1986.

O ministro das Emergências russo, Sergei Shoigu, afirmou em 5 de agosto que, caso houvesse um incêndio florestal na região de Bryansk, partículas radioativas seriam lançadas no ar.

Kim Holmen, diretor de pesquisa do Instituto Polar Norueguês, afirmou que árvores, outro tipo de vegetação e o solo absorveram parte do material nuclear lançado no acidente de 1986 e as cinzas liberavam parte dele de novo no ar.

“As transgressões de nossos pais nos revisitou”, disse ele à Reuters. “Há uma remobilização do material de Chernobyl. Esse é um lado de queima de biomassa que é subcomunicado. Há muito disso por aí…A fim de dizer qualquer coisa útil sobre as quantidades que você tem é preciso ver onde estão os incêndios.”

O Greenpeace da Rússia disse em um comunicado que foram registrados três incêndios em florestas altamente contaminadas na região de Bryansk, poluída com o isótopo nuclear césio 137.

Os níveis de radiação da região de Moscou permaneciam inalterados e dentro dos limites normais na quinta-feira, disse Yelena Popova, diretora do centro de monitoramento de radiação de Moscou.

Denúncia Salvador-BA: Contaminação de minérios na cidade de Boquira

22/08/2010

Será esse o futuro de Caetité?
Isso lembra as denúncias sobre Caldas e Nuclemon…