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Mais de 70% do desmatamento amazônico vira lixo

23/11/2010

BRUNO MOLINERO
COLABORAÇÃO PARA FOLHA
Nada de móveis, portas ou cabos de vassoura. De cada dez árvores derrubadas na região amazônica, sete vão para a lata do lixo. De acordo com estudo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a maior parte da madeira é simplesmente descartada como resíduo.
O principal problema é o processamento dessa madeira. Feito praticamente de forma artesanal e com baixa tecnologia, apenas 30% das toras é aproveitado. Essa fatia representa a parte mais nobre da árvore.
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O resto, na forma de serragem e de sobras, é descartado. Segundo Niro Higuchi, coordenador da pesquisa do INPA, é fundamental melhorar o rendimento da floresta. Não basta apenas estancar o desmatamento, por exemplo.
O pesquisador ainda aponta outro motivo para o baixo aproveitamento da madeira: ela é muito barata no mercado local. “É possível comprar um hectare de floresta por R$40”, disse à Folha.
De acordo com a Associação das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Estado do Pará (AIMEX), não é bem assim. O preço médio de uma árvore varia entre R$90 e R$360, dependendo da espécie.
“A madeira aqui na Amazônia é realmente barata. Mas não é só isso. Ela é explorada de maneira desorganizada”, alerta Rosana Costa, engenheira agrônoma do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).
A desorganização dessa exploração não é um problema exclusivo das grandes cidades, que transforma árvore em lixo urbano. Ela afeta também comunidades ribeirinhas – afinal, alguns núcleos incrustados na floresta sobrevivem do processamento de madeira.
Nessas comunidades, todo resíduo é despejado nos rios. “Na água, a serragem pode fermentar e soltar os produtos químicos que foram passados no tronco. Isso causa a morte do rio, como aconteceu no rio Trairão”, alerta Rosana.
O objetivo do INPA é reverter, em cinco anos, essa porcentagem, passando a aproveitar 70% da madeira derrubada. O aumento da produtividade acontece em duas etapas.
Na primeira, aperfeiçoa-se a técnica e a tecnologia da indústria madeireira, como o modo de cortar e as lâminas utilizadas.
Em seguida, é a vez dos resíduos. A serragem gera energia em termelétricas. E as sobras, finalmente, podem virar móveis, portas ou cabos de vassoura.
Para Niro, os resultados em laboratório foram animadores. Com isso, já foi firmado convênio com uma madeireira de Itacoatiara (região metropolitana de Manaus) e a aplicação do projeto deve começar até o fim do mês.

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Queimadas na Amazônia

07/09/2010

 

Rodrigo Baleia – 27/08/2010

Depois de 8.000 km voados em 4 dias, tive uma semana corrida editando as imagens das áreas degradadas e incêndios na floresta Amazônica.

Desta vez o trabalho foi mais tenso, pois voamos dentro da camada de fumaça para poder encontrar os focos de calor, o que acaba reduzindo o campo de visão do piloto. Por várias vezes tivemos que abandonar os pontos a serem fotografados, pois existia risco de colidir com o terreno.

Durante longos trechos é normal subirmos a um altitude que possibilite o avião encontrar menos resistência do ar. Foi entre 10.000 e 12.000 pés que consegui fotografar a camada de fumaça proveniente das queimadas que se estende por grande do país.

O trabalho rendeu imagens fortes que ainda estão sendo destaque na imprensa nacional, intenacional e em varias redes sociais. Elas representam o descaso do governo brasileiro, com as emissões de CO2 e o avanço da agropecuária no bioma Amazônia.

Um exemplo é o que vem acontecendo com a Nacional do Jamanxim.

Veja as fotos aqui

Exploração e extração de urânio ameaçam moradores e sistemas ecológicos no Brasil e na Guiana

24/03/2010

Febre de urânio na Amazônia – A Amazônia e seus habitantes estão ameaçados pela mineração de urânio. De fato, já há 30 anos foram descobertas reservas enormes do metal pesado radioativo na Amazônia brasileira (Rio Cristalino, no Pará, Pitinga, no Estado do Amazonas, e na região dos Ianomâmi em Roraima), assim como também no país vizinho Guiana. Mas só agora começou a febre do urânio na região. À procura de jazidas mais produtivas, atualmente várias mineradoras perfuram o solo da Guiana com equipamento pesado.
Somente a companhia canadense U308 assegurou os direitos de exploração em 1,3 milhões de hectares de terra na Guiana nas regiões de Aricheng e Kurupung. A empresa Takatu Minerals explora urânio na região de Amakura, no norte da Guiana. Em janeiro do corrente, as primeiras equipes de exploração da U308 tiveram sucesso: conforme informações da empresa, acharam uma jazida promissora com mais de 3000 toneladas do minério perto da Bacia de Roraima. No entanto, a empresa calcula em mais de 150000 toneladas o urânio extraível na região.
Procura no Brasil
Não só a Guiana, mas também o Brasil planeja aproveitar suas reservas de urânio na Amazônia. Conforme dados da indústria nuclear nacional (Indústrias Nucleares do Brasil – INB) no sul do Estado do Pará, perto de Rio Cristalino, existem reservas de 150000 toneladas de urânio. Outras 150000 toneladas encontram-se supostamente no Estado do Amazonas, perto de Pitinga, nas proximidades da reserva dos índios Waimiri-Atroari. Há a expectativa de haver jazidas ainda maiores no Estado de Roraima, no norte da Amazônia, na região tradicional dos Ianomâmi. O Governo do Presidente Inácio Lula da Silva prepara já desde 2007 um projeto de lei que futuramente deve autorizar e regulamentar a mineração industrial em regiões indígenas.
No entanto, as experiências de longos anos dos EUA, do Canadá, da Austrália, da Índia e do país africano Níger demonstram o seguinte: minas de urânio causam a intoxicação química e radioativa de mineradores e populações locais, contaminam o meio ambiente e principalmente as reservas de água. “Onde há urânio, as pessoas sofrem”, diz a especialista em urânio alemã Inge Lindemann. E a coalizão canadense contra minas de urânio “Ottawa Coalition Against Uranium Mining” (OCAMU) adverte: “Os resíduos nucleares da mineração de urânio causam vários tipos de câncer e malformações”. Já a exploração é considerada uma ameaça para o homem e o meio ambiente. Desmatam-se faixas de florestas virgens, transportam-se equipamentos pesados de perfuração e as perfurações experimentais podem estabelecer o contato entre camadas de urânio e o lençol freático, contaminando a água subterrânea. Conforme a OCAMU, exploração significa desmatamento, perfurações e explosões.
No Canadá, onde as conseqüências da mineração de urânio há décadas são notórias, os índios Algonquin lutam, desde 2007, de forma maciça contra a exploração e extração deste metal no seu território. “Prospecção e minas de urânio vão destruir as nossas terras e fazer com que seja impossível viver das nossas terras”, diz o movimento popular Algonquin Alliance of Ardoch Algonquin First Nation & Shabot Obaadjiwan First Nation.
A população indígena de Roraima também não quer a mineração. Antes de mais nada os Ianomâmi defendem-se contraqualquer projeto de mineração nas suas terras. Por este motivo também reprovam o novo projeto de lei do governo Lula, destinado a viabilizar a mineração industrial em reservas indígenas.
Assassino do clima
A causa da nova febre de urânio é, por um lado, a construção anunciada de novas usinas nucleares no Brasil, na China e também na Europa e, por outro, a expectativa de uma alta dos preços no mercado internacional de urânio – turbinada pelo argumento falso de que a energia atômica proteje o clima. Mesmo que não haja emissões diretas de CO2 das usinas atômicas, a energia nuclear não beneficia o clima de maneira alguma. O aproveitamento da energia atômica na verdade gera quantidades notáveis de gases de efeito estufa. A mineração de urânio, a produção do insumo yellowcake, transporte, construção de reatores, enriquecimento do urânio, produção das varas de combustível nuclear, “tratamento do lixo nuclear”, tudo isto, conforme o cientista e especialista em energia atômica sul-africano David Fig, contribui de maneira significativa para as emissões de gases de efeito estufa.
O balanço de CO2 terá saldo ainda pior caso, como no Brasil, florestas sejam sacrificadas por minas de urânio. A mineração industrial, principalmente quando se trata de urânio, motiva não apenas a construção de ruas, portos e conjuntos habitacionais para os trabalhadores, o que leva diretamente ao desmatamento.A extração do minério de urânio requer, igualmente, grandes áreas para o entulho radioativo. Por último, os trabalhos da mineração, a moagem do minério e o processamento do mesmo para yellowcake consomem grandes quantidades de energia, o que na Amazônia pode causar mais desmatamentos para a construção de barragens, nocivas para o meio ambiente, destinadas à produção de energia elétrica.
Traduzido por Frank Sabitzer, Embaixada do Brasil em Berlim
Reportagem de Norbert Suchanek, para o EcoDebate, 10/12/2009.
 

Fonte: http://www.ecodebate.com.br/2009/12/10/exploracao-e-extracao-de-uranio-ameacam-moradores-e-sistemas-ecologicos-no-brasil-e-na-guiana/