Berlusconi reconhece derrota no referendo sobre o nuclear

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Consulta popular é a primeira com mais de 50% de participação desde 1995

13.06.2011 – 15:20 Por PÚBLICO

Ainda a votação não tinha terminado e já o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, admitia a derrota no referendo sobre o nuclear, uma das quatro questões nos boletins de voto de hoje.

Berlusconi sofre mais um revés eleitoral

Berlusconi sofre mais um revés eleitoral (Alessandro Bianchi /Reuters)

Com a apuração ainda no princípio, mais de 90 por cento dos italianos disseram "sim" a uma modificação legal que significa um "não" à energia nuclear no país.
“Após a decisão que o povo italiano tomou neste momento, temos provavelmente de dizer adeus à possibilidade de termos centrais nucleares e temos de nos comprometer fortemente com energias renováveis”, afirmou o primeiro-ministro italiano.
A Itália tinha já recusado a energia nuclear, em 1987, num referendo após o desastre de Tchernobil – o que resultou numa moratória de cinco anos. Agora, terá voltado a dizer “não” a esta fonte de energia, quando ainda não está resolvido o desastre nuclear de Fukushima, no Japão, na sequência do qual a Alemanha encerrou algumas centrais e fixou o fim da energia atómica no país até 2022, e a Suíça tomou também medidas semelhantes. Berlusconi queria gerar um quarto da electricidade italiana através de centrais nucleares compradas a França. Ainda fez tudo para tirar a questão nuclear do lote de perguntas do referendo, mas não conseguiu.
Os referendos registaram entre 54 e 57 de afluência às urnas, conseguindo mais do que os 50 por cento necessários para serem vinculativos. A última vez que um referendo ultrapassou este limiar de participação foi em 1995. Desde então, seis consultas foram declaradas nulas.

Não à imunidade dos minsitros


Os eleitores recusaram o programa nuclear e terão ainda dito “não” a duas questões sobre as águas (privatização e cálculos de tarifas) e à imunidade judicial para ministros do Governo (rejeição da lei que permite ao primeiro-ministro ou membros do Governo invocar impedimentos institucionais para não estar presentes em sessões de julgamento sobre delitos penais, cometidos no exercício do cargo, de que sejam acusados).
É mais um grande revés para Berlusconi, que apelou aos eleitores para não votarem, numa tentativa de que os referendos, pedidos pelos Verdes e pela Itália dos Valores (oposição) não conseguissem os 50 por cento. Anunciou que não iria votar e declarou que a abstenção é “um direito dos cidadãos”.
O desaire eleitoral surge numa altura já difícil para o primeiro-ministro italiano, envolvido em processos judiciais por um escândalo sexual e fraudes, e que acabou de sofrer uma enorme derrota nas eleições municipais do mês passado incluindo no seu bastião de Milão.

 

http://www.publico.pt/Mundo/berlusconi-reconhece-derrota-no-referendo-sobre-o-nuclear_1498533

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