Fiscal da Cnen diz que falta projeto para conter radiação em Angra

by

 

Presidente do órgão contesta informações em audiência na Câmara. Senadores também visitaram usinas nucleares

Da Agência CanalEnergia, Regulação e Política
13/04/2011

O presidente da Associação dos Fiscais de Radioproteção e Segurança Nuclear da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Rogério dos Santos Gomes, disse que, caso ocorra um "acidente severo", com derretimento do núcleo do reator das usinas de Angra, o vazamento de material radioativo para o meio ambiente será inevitável. O especialista participou na última terça-feira, 12 de abril, de audiência pública realizada pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável para discutir a segurança nuclear no Brasil.

Segundo ele, os projetos das centrais nucleares brasileiras não prevêem a contenção necessária para esse tipo de ocorrência. O país tem hoje duas usinas em operação em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, e uma terceira está em construção na mesma cidade. Gomes contou que, somente a partir do acidente na central nuclear de Three Mile Island, na Pensilvânia, nos Estados Unidos, em 1978, quando ocorreu derretimento dos combustíveis da usina, começou-se a criar plantas mais seguras. O projeto das centrais brasileiras é anterior a essa data. O especialista alertou, inclusive, que Angra 3 também não foi adaptada às novas exigências de segurança.

O presidente da Cnen, Odair Dias Gonçalves, contestou a afirmação do representante dos fiscais em relação à segurança das centrais nucleares. Ele afirmou que a adaptação das usinas em operação não ocorreu porque a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) só exige precauções contra acidentes severos para novas plantas. "Essas medidas envolvem a fase de construção, e isso não é viável [em plantas instaladas] por causa dos custos", justificou. No caso de Angra 3, no entanto, Gonçalves garante que o projeto foi adequado.

Outro ponto debatido na audiência diz respeito ao plano de emergência nas usinas. O deputado Fernando Jordão (PMDB-RJ), que foi prefeito de Angra dos Reis, considerou absurdo falar em retirada gradual da população. "Se houver acidente, não existe retirada cadenciada, vai sair todo mundo de uma vez, e a estrada [que leva à Angra] está esperando para cair", assegura. Ele cobrou a melhoria da estrada Rio-Santos para facilitar a evacuação dos moradores em caso de acidente. "Quem disser que aqui tem plano de evacuação sem melhoria da estrada, está mentindo", disse.

Vários deputados também cobraram do presidente da Cnen explicações sobre as licenças para o funcionamento das usinas. O grupo de trabalho da Comissão de Meio Ambiente, que estudou a segurança nuclear brasileira em 2005 e 2006, concluiu que as instalações funcionavam apenas com Autorização para Operação Inicial e sem as licenças ambientais. O presidente da Cnen explicou que Angra I e Angra II são anteriores à Lei dos Crimes Ambientais (9.605/98), que exige o licenciamento. Para Angra III, segundo ele, a licença já foi emitida.

Entretanto, na opinião do chefe do Departamento de Direito Público da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Márcio Cammarosano, o problema ambiental das centrais não está resolvido. Ele ressaltou que, pela legislação vigente, as licenças devem ser renovadas a cada cinco anos.

Senado – Uma comitiva de senadores visitou o complexo nuclear de Angra dos Reis na última sexta-feira, 8 de abril. A visita foi solicitada pela Comissão Temporária Externa do Senado, criada para investigar o sistema de segurança da central nuclear e avaliar a eficiência do plano de emergência das usinas. Os parlamentares receberam uma explicação sobre o funcionamento das usinas no Centro de Informações de Itaorna e conheceram o canteiro de obras de Angra 3.

O superintendente de Construção, José Eduardo Costa Mattos, detalhou o andamento da obra e explicou aos senadores como está sendo feito o monitoramento das encostas e a proteção contra ondas do mar, nas proximidades da usina. Os parlamentares ainda visitaram Angra 2 e o Centro de Gerenciamento de Rejeitos.

De acordo com o senador Lindbergh Farias (PT/RJ), que solicitou a formação da comissão, será apresentado, em 15 dias, um relatório com sugestões para o aprimoramento do plano de emergência. “Nossa maior preocupação é com o plano de evacuação em caso de acidente nuclear, principalmente em relação às condições da BR-101. Pelo que vimos, da porta para dentro das usinas não temos problemas, mas sim um alto nível de segurança. No entanto, é preciso tomar providencias urgentes no caso das estradas que, a meu ver, são o ponto mais frágil e comprometem a segurança do plano”, afirmou Lindbergh.

http://www.canalenergia.com.br/zpublisher/materias/Regulacao_e_Politica.asp?id=82718

As informações são da Agência Câmara.


Anúncios

Tags:

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: