Físico considera programa de energia nuclear brasileiro um equívoco

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Do site da Caros Amigos

Em entrevista, Heitor Scalambrini Costa, físico e professor da Universidade Federal de Pernambuco, explica os problemas enfrentados no Japão com a crise nuclear e avalia a política brasileira na área

Por Joelma Couto

Heitor Scalambrini Costa, físico e professor da Universidade Federal de Pernambuco, em entrevista ao site Caros Amigos, falou sobre a grave crise nuclear que o Japão vem enfrentando após o terremoto e a tsunami que atingiram o país em 11 de março de 2011. O terremoto seguido de tsunami parece ter mexido com as estruturas de muitos países. O desastre na usina de Fukushima Daí-ichi trouxe de volta o fantasma dos grandes acidentes nucleares. Ironicamente, o Japão, país devastado pela primeira bomba atômica, durante a segunda Guerra Mundial, mais uma vez se vê frente a este inimigo invisível. Na última segunda-feira (28) a Tokyo Eletric Power (Tepco) responsável pela administração da usina de Fukushima Dai-ichi, anunciou que foi detectado plutônio no solo de cinco locais da usina. Se por lá a crise parece estar longe de uma solução, na Europa, protestos nas ruas pedem o fim das usinas nucleares. No Brasil, as declarações do Ministro de Minas e Energia, de continuar com o plano de construção de 50 usinas nucleares, causaram revoltas entre ambientalistas e especialistas que são contrários ao uso das termo-nucleares. A crise nuclear no Japão parece estar longe de ser solucionada e no resto no mundo a discussão sobre a continuidade do uso das termo-nucleares em atividade e a construção novas usina está só começando. A entrevista foi concedida antes das últimas notícias de contaminação do solo por plutônio no solo da Usina de Fukushima Daí-ichi. Confira.

Caros Amigos – O que provocou a explosão na usina de Fukushima Daí-ichi?

Uma usina nuclear é uma instalação industrial que produz eletricidade a partir da energia nuclear, produzida em reações químicas de materiais radioativos. Nestas reações são liberadas grandes quantidades de calor.  Este calor é usado para girar as turbinas e produzir energia elétrica. O funcionamento de uma usina nuclear é bastante parecido ao de uma usina termoelétrica. A diferença é que em vez de termos o calor gerado pela queima de combustíveis fósseis como carvão, óleo combustível, óleo diesel ou gás, nas usinas nucleares o calor é gerado pelas transformações que se passam nos átomos de urânio nas cápsulas de combustível nuclear. O calor gerado no núcleo do reator vaporiza a água, que passa por um conjunto de turbinas acopladas a geradores elétricos. O movimento do gerador elétrico produz a energia, que é entregue ao sistema de distribuição.

Explicado como funcionam as usinas, é importante destacar que podem ser diferenciadas pela tecnologia que utilizam combustível empregado, concepção de segurança, etc. Tem em comum a necessidade de grandes quantidades de água para refrigerar o reator, local onde se realiza as reações nucleares. Os volumes são enormes. Para exemplificar, tomemos o exemplo de uma usina de 1300 MW (Angra II), que necessita da mesma quantidade necessária para atender a demanda de uma cidade de 100.000 habitantes.

Se por qualquer razão houver a interrupção desta refrigeração, a temperatura irá aumentar drasticamente, podendo ocorrer, como acidente mais grave nesta instalação, a fusão do reator e a liberação, para a atmosfera, dos materiais radioativos produzidos no interior do reator. E foi isto que aconteceu com as usinas do complexo de Fukushima Daí-ichi. O tsunami colocou fora de operação todos os mais de uma dezena de geradores-diesel disponíveis no local, bem como seus tanques de combustível, interrompendo o processo de resfriamento.

Naquelas três unidades que estavam ainda em funcionamento quando do tsunami, ocorreram explosões e liberação de material radioativo para a atmosfera. E naquelas outras três que estavam desligadas e em manutenção ocorreu à evaporação da água das piscinas de combustíveis reciclados, situada na parte superior dos reatores, parados para manutenção, desde bem antes do terremoto e do tsunami. Assim, nestas usinas, também houve liberação de material radioativo. No momento é importante não só ter o domínio da situação, refazendo o sistema elétrico para acionar o bombeamento de água, como verificar o grau e a extensão da contaminação do ar, da água e do solo, provocado por esta fuga de material radioativo deste complexo nuclear.

Caros Amigos – No que este acidente difere do acidente de Chernobyl?

Apesar das conseqüências dos acidentes serem semelhantes no que concerne a liberação de material radioativo para a atmosfera, as tecnologias dos reatores e os respectivos sistemas de segurança utilizados nestas centrais são bem diferentes. Em ambos os acidentes houve falhas no sistema de refrigeração do núcleo do reator. Este é o tipo de acidente mais grave que pode ocorrer nas instalações nucleares, que é o rompimento de barreiras de proteção e a contaminação ambiental.

Em Chernobyl, os materiais radioativos foram dispersos em grande quantidade e a grandes distâncias devido à energia liberada pelo incêndio de centenas de toneladas de grafite que havia no interior do reator, material altamente inflamável utilizado como moderador de nêutrons. O reator era um modelo RBMK (“Reactor Bolshoy Moshchnosty Kanalny" – de canaletas de alta potência), considerado excessivamente inseguro no Ocidente. Utilizava grafite como moderador de nêutrons, e água como refrigerante, num circuito simples (não há divisão primário/secundário). Neste caso, se o reator ficasse seco, sem refrigeração, tornar-se-ia ainda mais potente (pois a água também atua como absorvedor de nêutrons), criando uma realimentação positiva na temperatura.

Num reator a água, que não usa grafite, como são os BWR (Boiling Water Reactor) afetados no desastre do Japão, e os PWR (Pressuried Water Reactor), iguais aos de Angra I e II, que juntos compõem cerca de 90% de todo parque de usinas nucleares no mundo, não existe a energia propulsora para tal dispersão de material radioativo na atmosfera. Neste caso, a dispersão ocorre em menor área e menor intensidade. Todavia, em um acidente nuclear, cada caso é um caso, e devem assim ser interpretadas suas causas.

Segundo a Escala Internacional de Ocorrências Nucleares (INES- International Nuclear and Radiological Event Scale), que tem o objetivo de informar ao público sobre a gravidade das ocorrências em instalações nucleares, os eventos se classificam em 7 níveis. Os níveis baixos (1-3) são designados incidentes e os níveis elevados (4-7) acidentes.

A classificação do acidente ocorrido em Fukushima Daí-ichi é a mesma do ocorrido em Three Mile Island, na Pensilvânia, em 1979. Ambos foram classificados como nível 5. Nestes acidentes, há risco fora da área da instalação, o que indica que houve a liberação externa de materiais radioativos com a aplicação de contramedidas previstas nos planos para casos de emergência, para reduzir a probabilidade de efeitos sobre a saúde. Pode incluir danos graves a uma grande parte do núcleo de um reator de potência, um acidente de criticalidade importante ou um incêndio ou explosão importantes, que liberem grande quantidade de radioatividade dentro da instalação.

O acidente de Chernobyl, classificado com o nível 7, o mais alto da escala INES, é considerado acidente grave  com a liberação externa de uma fração importante do material radioativo de uma instalação. Neste caso, é liberada uma mistura de produtos de fissão radioativos de vidas curta e longa. Essa liberação poderia ocasionar efeitos tardios para a saúde da população de uma vasta região, possivelmente, de mais de um país, e consequências a longo prazo para o meio ambiente.

Caros Amigos – O uso da água do mar para resfriar o reator é seguro? E o que será feito com toda esta água quando ela não for mais necessária? Se for devolvida ao mar, existe risco de contaminação para a vida marinha?

Uma das características das centrais nucleares é a grande quantidade de água necessária para a refrigeração do núcleo do reator. Daí as usinas serem instaladas próximas de grandes fontes de água (mar, rios, reservatórios). O maior problema de uma central nuclear num mundo onde escasseia a água é o fato de consumirem muita água para refrigeração, apesar da sua vulnerabilidade à própria água.

Logo, um dos maiores desafios de engenharia do reator é controlar sua temperatura, que aumenta mesmo quando ele está "desligado", devido à fissão natural. Esse efeito é particularmente grande em reatores com grande quantidade (100 toneladas) de combustível no núcleo, por que, colocando a coisa em palavra simples, a "proximidade" de tantos átomos acaba auto-estimulando a fissão. Sem a água, as barras de combustível podem ficar expostas, liberando material radioativo para o meio ambiente.

Geralmente a água utilizada para a refrigeração não é contaminada com material radioativo. Um dos problemas apontados nestes casos é que a água a ser devolvida ao mar ou ao rio, terá alguns graus a mais (portanto mais quente) em relação a quando foi bombeada para refrigerar o reator. Este aumento de temperatura pode provocar a mortandade de certas espécies marinhas, assim como mudanças na biodiversidade da região em que a água mais quente é despejada.

No caso do desastre japonês foi injetada água do mar no reator, a fim de tentar controlar sua temperatura. É provavelmente a primeira vez em 57 anos da indústria nuclear de que a água do mar tem sido usada desta forma. A injeção de água do mar em um núcleo é uma medida extrema, e isso não está de acordo com os manuais. É como se fosse um incêndio. A hora que acaba a água do hidrante, você usa qualquer água disponível. O importante é resfriar o reator.

A extensão e a gravidade desta contaminação, em que a água do mar foi exposta ao material radioativo, e assim contaminada, serão observadas proximamente, particularmente nos alimentos vindo do mar.

Caros Amigos – Quais os riscos para a população?

A contaminação das pessoas, dos animais, da água, do solo e do ar pelo material radioativo liberado ao meio ambiente, geralmente provém de isótopos como urânio-235, césio-137, cobalto-60, iodo-131, estrôncio-90 (meia-vida de 29 anos) tório-232 e plutônio, que são fisicamente instáveis e radioativos, possuindo uma constante e lenta desintegração. Tais isótopos liberam energia através de ondas eletromagnéticas. É o que chamamos de radiação. O contato da radiação com seres vivos não é o que podemos chamar de uma boa relação.

Contaminantes altamente tóxicos chegam aos seres humanos através da ingestão de água e de alimentos, ou pelo próprio ar respirado. Esta é a grande e maior preocupação com relação a vidas das pessoas que vivem no Japão e nos outros países onde os elementos químicos que foram liberados para o meio ambiente podem chegar.

Os efeitos da radiação podem ser de longo prazo, curto prazo ou apresentar problemas aos descendentes da pessoa infectada (filhos, netos). O indivíduo que recebe a radiação sofre alteração genética, que pode ser transmitida na gestação. Os raios afetam os átomos que estão presentes nas células, provocando alterações em sua estrutura. O resultado? Graves problemas de saúde como a perda das propriedades características dos músculos e da capacidade de efetuar as sínteses necessárias à sobrevivência. Muitos desses elementos químicos acabam se instalando nos ossos, afetando a medula óssea, na tiróide, entre outras partes do organismo humano.

Caros Amigos – O governo japonês pediu ajuda aos Estados Unidos da América. Isso poderia ser um sinal de que o país não está preparado para enfrentar o problema ou a situação está fora de controle?

Foi confirmado o pedido de ajuda que o Japão fez formalmente a Comissão Reguladora Nuclear Americana (NRC) de Aconselhamento Técnico e também para ajudarem a resfriar os reatores nucleares do complexo de Fukushima Daí-chi, danificado pelo terremoto devastador, seguido de tsunami que abateu sobre a costa nordeste daquele país.

Creio que foi uma medida sábia e necessária, já que, nestes casos, é fundamental a cooperação internacional. Sem dúvida foi um momento de desespero e de perda do controle da situação por parte dos japoneses. Também começaram a ocorrer questionamentos por outros países em relação às informações repassadas pelas autoridades japonesas responsáveis pelas usinas nucleares e pelo governo japonês, no sentido da gravidade da ocorrência nuclear naquele país.

Caros Amigos – O senhor comentou que deveríamos torcer para não chover no Japão, pois haveria risco da chuva espalhar o MOX, combustível utilizado nas usinas, causando uma catástrofe ainda maior. Em que o senhor se baseia para fazer esta afirmação? Por que a preocupação em especial com o MOX?

O MOX, também conhecido como “combustível de plutônio”, (utilizado na
na unidade 3, é objeto de maior preocupação para a Agência de Segurança Nuclear do Japão)  . É um combustível composto de urânio e de plutônio bem mais reativo que os combustíveis padrões.

O plutônio, que não existe em estado natural, é um veneno químico extremamente violento. É produzido no reprocessamento dos resíduos nucleares gerados pelas usinas. Trata-se de uma das substâncias mais radio tóxicas e perigosas de que se tem notícia. Uma esfera menor do que uma bola de tênis poderia ser usada como combustível de uma bomba nuclear capaz de matar milhões de pessoas.

Sem dúvida com a chuva e a neve, freqüente naquela região, os elementos radioativos que foram expelidos e estão em suspensão na atmosfera se precipitam, contaminando assim o solo, as plantações, as fontes de água, os pastos dos animais… Esta é uma das grandes preocupações nestes desastres, que haja contaminação e fixação destes elementos na cadeia produtiva dos alimentos (carnes, leite, legumes, frutas,…).

Caros Amigos – Por que países como, Alemanha e França, grandes construtores de reatores nucleares, se manifestaram tão preocupados com a segurança de suas usinas? O problema no momento não é do Japão?

O acidente ocorrido na central nuclear de Fukushima, e noutras centrais no nordeste do Japão, desferiu um golpe profundo na indústria nuclear, constituído por um cartel de menos de uma dezena de grandes companhias estatais que, nos últimos anos, vinham fazendo campanha para o renascimento deste tipo de energia.

As manifestações de preocupação e mesmo a tomada de decisão de repensar e revisar seus próprios planos de instalações de novas usinas nucleares em seus territórios, foi logo após o acidente nuclear ter ocorrido no Japão.

Os governos dos países mencionados tomaram este decisão por conhecerem os riscos e perigos de um acidente nuclear com liberação de material radioativo.  Não foram acusados de estarem agindo pelo “emocionalismo” do momento. Foram sim motivados a tomarem decisões movidas por cautela e prevenção. A Alemanha conta em seu território com 17 usinas e, a França, com 56.

Provavelmente a China tomará as mesmas medidas dos países europeus e dos Estados Unidos no sentido de não prosseguirem instalando reatores, e optarão por outras soluções para produzir a energia elétrica de que necessitam.

Caros Amigos – O Brasil está investindo milhões na pesquisa para a construção de novas usinas nucleares e, até o momento, não vimos nenhuma declaração do governo brasileiro preocupado com a segurança das usinas de Angra e com as que estão no papel. Por quê? No Brasil não há risco ou o risco é menor que na Europa e no Japão?

Ao contrário dos governantes dos países que mais utilizam a energia nuclear no mundo para fins de geração de eletricidade, a manifestação do governo brasileiro ocorreu através do Ministro de Minas e Energia, de total prepotência, afirmando que nada muda nas propostas do governo em continuar com o projeto de instalação de 50 usinas nucleares nos próximos 50 anos.

É claro que existe risco de um acidente nuclear no Brasil, e este risco aumentará a partir da expansão do parque nucleoelétrico no país. Lamentavelmente, o assunto nuclear no país é tratado à margem da população. É nos gabinetes que meia dúzia de pessoas decide por todos nós brasileiros, nosso presente e nosso futuro.

Exigimos um debate profundo de esclarecimentos com a participação da população, apresentação dos prós e contras das usinas nucleares, da real necessidade de construirmos usinas nucleares em nosso território para garantir a segurança energética e dos verdadeiros riscos que oferecem a população.

É verdade que o problema do Japão foi causado por um terremoto e um tsunami, que não ocorrem no Brasil. Contudo, nada impede que outro tipo de acidente venha a ocorrer, como foi o caso de Three Mile Island, onde o derretimento do núcleo foi causado por defeitos mecânicos, sem terremotos ou tsunamis. Este reator era do mesmo tipo que os existentes em Angra. Segurança absoluta não existe.

Outro aspecto que deve ser discutido imediatamente é que mais segurança nos reatores significa maiores custos, o que inviabilizaria de uma vez o uso da energia nuclear por razões econômicas. Quem pagará por essa cara energia seremos nós, os consumidores, através das tarifas, que já são as mais caras do mundo.

Caros Amigos – O Brasil deveria reavaliar a política nacional de energia nuclear?

É um equívoco concluir Angra 3 e retomar um programa para construir 50 novos reatores, nos próximos 50 anos. Isso beira ao inacreditável. Os impactos do acidente nuclear da usina de Fukushima, no Japão, devem ter efeito imediato nos preços das centrais projetadas no mundo e no Brasil. A exigência de sistemas de segurança mais eficientes e uma alta no preço dos seguros tendem a encarecer ainda mais a energia nuclear.

O governo deve rever sua posição e ouvir a comunidade científica brasileira e debater a questão com toda a população. Caberá a nós decidir se queremos ou não a instalação de usinas nucleares em nosso território. Os tempos são outros, os desafios e as nossas responsabilidades são muito maiores. Creio que devemos sim tornar decisões sobre escolhas na área energética, levando em conta uma ampla discussão, geral e irrestrita. Devemos democratizar o debate.

Caros Amigos – O senhor também comentou que alguns setores da mídia brasileira estão tentando passar a idéia de que a energia nuclear é segura e que o que está acontecendo no Japão foi culpa “digamos da natureza”. O que lhe leva a pensar assim?

Depois dos 25 anos do acidente mais grave em uma usina nuclear, o de Chernobyl, uma ampla campanha de convencimento tem sido feito pelos setores pró-instalação de usinas nucleares no mundo.

A principal justificativa é que são seguras, não emitem gases de efeito estufa e são baratas quando comparadas a outras fontes de energia elétrica. Estas justificativas têm sido rebatidas com estudos científicos e situações que mostram que não são tão seguras assim (vide o acidente em Fukushima), e não tão baratas assim. Quanto à questão das nucleoelétricas não contribuírem ao aquecimento global, não emitindo gases de efeito estufa, esta argumentação cai por terra quando consideramos não só o processo de geração que ocorre na usina, mas todo o ciclo para obtenção do combustível nuclear, além do descomissionamento da usina.

Sem duvida alguma existe em alguns setores da imprensa larga concordância com a instalação de usinas nucleares em nosso país, daí publicarem muito mais informes publicitários do que um real debate sobre esta tecnologia.

http://carosamigos.terra.com.br/index/index.php/noticias/1549-fisico-considera-programa-de-energia-nuclear-brasileiro-um-equivoco

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