O que nos ensina o acidente nuclear no Japão?

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Do Blog do Sirkis

Alfredo Sirkis

O que nos ensina o tríplice acidente nuclear nas usinas de Fukushima Daiichi  e Tokai, 
no Japão, para além da perene vigência da Lei de Murphy? Nos ensina que mesmo os mais elaborados planos de segurança nuclear em países de primeiro mundo podem ser falhos diante de ocorrências nem tão imprevisíveis assim: afinal terremotos seguidos de tsunami são acidentes geológicos de ocorrência não apenas plausível como provável no Japão dentro de ciclos de tempo muito mais breves do que a vida radioativa do combustível nuclear processado por aqueles reatores e do lixo nuclear produzido por eles.

Nos  recorda também de outros tipos de risco: por exemplo, o de um comando terrorista suicida. Qual a usina que se pode considerar totalmente invulnerável a um ataque decidido de um comando-suicida de uns trinta terroristas da Al Qaeda? Ou a um jato carregado de explosivos? É correto dizer que outras instalações  (petroquímicas, represas, etc…) poderiam ser igualmente vulneráveis mas a extensão dos efeitos de uma nuvem radioativa e o impacto psico-social e econômico que pode provocar é bastante especial e de natureza a exigir uma profunda reflexão, cada vez que, diante de um leque de opções, um governo decidida pela construção de uma usina nuclear.

O tríplice acidente no Japão deveria fazer cessar definitivamente a especulação em torno da construção de novas usinas nucleares no Brasil. Recentemente tivemos as de Angra I e II desligadas com poucas horas de intervalo. Angra III está em construção e parece irreversível mas as cinco outras, estupidamente previstas para diversos pontos do litoral brasileiro,  devem ser definitivamente sepultadas. Basta o problema que teremos durante décadas, possivelmente séculos, com as de Angra. Não temos terremotos nem tsunamis na costa atlântica mas nem por isso essas usinas nucleares estão fora de risco. Com a inevitabilidade da elevação do nível dos oceanos, qualquer um que conheça a praia de Itaorna –“pedra podre” para os indígenas–  sabe que o risco delas vierem a sofrer uma inundação do tipo da que afetou o Japão não só não pode ser excluído como, realisticamente, deveria ser considerado provável. 

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