Brasil: vergonha nuclear

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Em entrevista recente ao portal atividades nucleares, o diretor de Recursos Minerais da INB, Otto Bitencourt, fez a seguinte afirmação:
“A região de Caetité é considerada uma Província Uranífera em razão dos grandes depósitos desse mineral que lá se encontram. Portanto, as águas de seu subsolo apresentam maiores teores de urânio, da mesma forma que acontece em regiões onde existem grandes quantidades de ferro – as águas contêm alguma quantidade de ferro. A verdade é que esse urânio presente nas águas é urânio natural, com o qual a população convive desde sempre e que não causa nenhum dano à saúde.”, explicou, e completou: “A empresa pode afirmar, baseada em dados científicos, que a nossa atividade não provoca a contaminação das águas daquela região e mais: que o urânio encontrado nas águas é urânio natural, como se encontra na natureza do local”.
É no mínimo, curioso…
A indústria nuclear, através da INB, CNEN e outros atores radioativos, vêm cultivando a desinformação. Na revista veja e em diversos outros veículos de informação, afirmam nunca ter existido contaminação em Caetité, mesmo após a comprovação científica que envolveu vários órgãos do governo, como o Ingá, da Bahia e o próprio IPEN. Agora, a contaminação existe… Mas é natural!!!!
O fato é que tanto a INB quanto a CNEN afirmam realizar milhares de estudos periodicamente e não encontram contaminação. Os resultados desses estudos? Ninguém nunca viu… Agora a contaminação existe. Mas dados científicos comprovam que a mina não está provocando ou agravando a contaminação. São os mesmos dados que diziam não haver contaminação e que agora repentinamente mudaram de opinião? Nunca vi dados científicos mudarem de uma hora para outra…
Enquanto isso, a população continua a beber água contaminada sem saber os males que isso implica.
Enquanto isso, muita gente ainda bebe água sem a certeza de sua qualidade, pois muitos pontos de coleta ainda não foram analisados.
Enquanto isso, a água contaminada serve para dar de beber a animais e para regar plantações.
Enquanto isso, esses produtos agrícolas sofrem preconceito e populações sem alternativas econômicas não recebem apoio do governo.
Enquanto isso, a justiça determina o fornecimento de água de qualidade, mas nada é feito.
Enquanto isso, a CNEN sabe da contaminação (que apesar de dizerem ser natural não deixa de ser contaminação e apresentar graves riscos!) e nada faz para alertar à população, não cumprindo com o seu papel de agência fiscalizadora e apenas aparecendo publicamente para, com unhas e dentes, defender a INB.
Enquanto isso, o Brasil pretende expandir seu programa nuclear, com mais reatores, mais minas, enquanto as vítimas de Caetité, Goiânia, Caldas, Santo Amaro, ainda não foram devidamente indenizadas e muitas vezes nem ao menos reconhecidas. E a mina e os reatores operam com condicionantes em aberto, tendo licenças contra os pareceres de técnicos da própria CNEN, renovadas mais vezes que a lei permite e sem estudos independentes que abordem o possível impacto das instalações.
Enquanto isso, as energias renováveis ficam cada vez mais baratas e a energia nuclear mais cara, sem contar as vidas que são pagas pela irresponsabilidade desse programa…
E se eu continuar escrevendo os enquanto issos, fico cada vez mais indignado.
Está claro que nuclear não é o caminho.
Precisamos de energia sim, mas segura, limpa e renovável.
Não existem argumentos que justifiquem o desvio do rumo a um Brasil limpo.
Por um Brasil 100% renovável,
 
André Amaral.
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