Radiação e seus riscos são foco de estudos

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Ter, 31 Ago, 04h30

Quando a Dra. Deborah Rhodes pede um exame diagnóstico que envolve radiação, ela consulta um gráfico em seu consultório que lista a quantidade de exposição à radiação em cada exame.

Ela leva em conta o total das exposições do paciente no passado e então avalia cuidadosamente os riscos e benefícios de cada exame – e qualquer abordagem alternativa que possa ser considerada.

Dois novos estudos, que aparecem na edição de terça-feira da revista “Radiology”, sugerem que mais médicos deveriam adotar essa prática.

Um estudo descobriu que certos exames de imagens das mamas de base nuclear, que envolvem injetar material radioativo nos pacientes, expõe as mulheres a doses muitos mais altas de radiação do que uma mamografia comum, elevando seu risco de desenvolver câncer em órgãos vulneráveis além das mamas, como rins, bexiga ou ovários.

No total, a dose anual de radiação em procedimentos médicos para a população dos Estados Unidos aumentou sete vezes entre 1980 e 2006, relata um segundo artigo.

“Tenho fobia de radiação – posso dizer isso em alto e bom tom”, afirmou Rhodes, médica da Mayo Clinic que está realizando pesquisas para desenvolver tecnologias de exames que exijam menor exposição do paciente à radiação.

“Fico monitorando constantemente as doses de radiação em meus pacientes”.

Infelizmente, segundo ela, “isso não é muito bem compreendido, não apenas pelo público, mas pelos médicos que solicitam os exames”.

R. Edward Hendrick, médico que estudou os exames de mamas por imagens durante quase 30 anos, disse estar motivado a quantificar a exposição a radiação nas tecnologias nucleares de imagens de mamas num artigo público, graças a preocupações similares.

“Eu ia ao encontro internacional das mamas e em grandes encontros de radiologia, e ninguém fazia ideia de quais eram as doses e os riscos”, afirmou Hendrick.

“Eles estão tratando todos os exames como se as doses e os riscos fossem todos iguais aos de uma mamografia, e a verdade é que eles representam um risco muito, mas muito maior.

A finalidade do artigo era dizer que nem todos os procedimentos de diagnóstico por imagem em mamas têm riscos e doses comparáveis”.

Hendrick, professor de radiologia na Escola de Medicina da Universidade de Colorado-Denver em Aurora, Colorado, é consultor da GE Healthcare em assuntos relacionados à tomossíntese digital das mamas, outra técnica de diagnóstico por imagens das mamas, e está no conselho médico da Koning e da Bracco, que fabricam outras tecnologias de diagnóstico por imagem.

As tecnologias nucleares BSGI (da sigla em inglês para imagens gama específicas para as mamas) e PEM (sigla em inglês para mamografia por emissão de pósitrons) devem ser usadas como complementos ou adjuntos à mamografia e ao ultra-som, já que existe a preocupação sobre uma lesão cancerosa, e não para testes de rotina.

Essas tecnologias também são mais úteis em mulheres que possuem o tecido dos seios bastante denso, caso em que a mamografia não gera imagens claras.

Porém, um exame BSGI ou PEM expõe os pacientes a um risco de câncer induzido por radiação que é comparável ao risco de uma vida inteira de mamografias anuais começando aos 40 anos, segundo o estudo de Hendrick.

Enquanto a mamografia representa um risco médio de induzir 1,3 cânceres fatais a cada 100 mil mulheres aos 40 anos, estimou-se que um único exame BSGI envolve um risco de 20 a 30 vezes maior em mulheres da mesma faixa etária, e o risco de um PEM individual era 23 vezes maior.

Além disso, a mamografia só eleva os riscos de câncer de mama, enquanto o BSGI e o PEM aumentam o risco em outros órgãos, como intestinos, rins, bexiga, vesícula biliar, ovários e cólon, dizia o estudo.

Há também um temor de que o uso das tecnologias de imagens se torne mais disseminado e casual.

“BSGI e PEM são ótimas ferramentas para solucionar problemas, se você tem um paciente com uma mamografia anormal e não está muito seguro”, disse Rhodes.

“O problema é que esses exames já estão sendo considerados e até mesmo usados como exames de prevenção, e isso não é apropriado”.

“Não estou dizendo que não façam o exame, estou apenas dizendo para não solicitarem esse exame da forma descompromissada como se pede um exame de ultra-som'”, disse Hendrick.

Em outro artigo na mesma edição da revista “Radiology”, William R. Hendee, respeitado professor de radiologia, oncologia de radiação, biofísica e bioética do Medical College of Wisconsin, em Milwaukee, convocou os radiologistas para conduzir uma campanha pela redução do uso exagerado de tecnologias de imagens que expõem o paciente a radiação sem necessidade e, no processo, elevam o custo da saúde.

Propostas sugeridas para conter o uso excessivo de tecnologias de imagens incluem o desenvolvimento de critérios nacionais, e baseados em evidências, de adequação para o uso dos exames, educando médicos relacionais e o público, desacelerando a prática médica da auto-orientação e encontrando maneiras de reduzir os exames duplicados.

As empresas que fazem os dois exames de imagens de mamas com base nuclear não argumentaram sobre a avaliação da exposição à radiação, mas afirmaram que a comparação com a mamografia – que expõe pacientes a níveis muito baixos de radiação, equivalentes e cerca de dois meses de radiação natural do ambiente – foi inapropriada, já que os exames são usados de forma distinta.

“A comparação com a mamografia é mais ou menos como comparar maçãs e laranjas”, disse Doug Kieper, vice-presidente de ciência e tecnologia da Dilon Technologies Inc., que desenvolveu a tecnologia BSGI.

“Nosso exame não está sendo usado como um procedimento preventivo para a população geral, assintomática, que não possui nenhuma indicação de doença”.

Ele acrescentou que já havia estudos sendo conduzidos para tentar obter os mesmos resultados usando doses mais baixas de radiação.

Guillaume Bailliard, vice-presidente de marketing da Naviscan, que fabrica o leitor PEM, disse que o produto nunca deveria ser usado como ferramenta para exames de rotina.

“É verdade que o PEM oferece uma dose mais alta que a mamografia”, disse ele, “mas os médicos devem avaliar os riscos e benefícios ao tomar decisões”.

© 2010 New York Times News Service

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