EDSON DUARTE DEBATE QUESTÃO NUCLEAR NA BAHIA COM DEPUTADA VERDE ALEMÃ

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O deputado federal Edson Duarte (PV-BA), líder da bancada do Partido Verde na Câmara, encontrou-se no último final de semana (27 e 28 de agosto) em Salvador com a deputada Ute Koczy, porta-voz do PV alemão para políticas de desenvolvimento, quando trataram de questões relacionadas ao ciclo da energia nuclear no Brasil e na Bahia. O fornecimento e controle da qualidade da água, o monitoramento da saúde da população local e a qualidade dos seus produtos agrícolas da população da zona rural de Caetité foram alguns dos assuntos debatidos com a parlamentar verde alemã, que visitou a zona de mineração de urânio nos municípios de Caetité e Lagoa Real, no sertão da Bahia. “Dos onze poços de abastecimento que foram abertos pela empresa estatal federal Indústrias Nucleares Brasileiras (INB), dona da mina de urânio no local, nove tiveram que ser lacrados devido aos altos índices de urânio encontrados na água”, disse a parlamentar. A crônica falta d’água, a ausência de monitoramento dos sérios riscos que a mineração de urânio oferece à saúde já foram denunciados por organizações como o Greenpeace, o Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá) e a Associação Movimento Paulo Jackson, além de diferentes órgãos públicos, tendo resultado em ações judiciais. Segundo Edson Duarte, a visita de Ute Koczy à Bahia aconteceu num momento mais do que oportuno, uma vez que está em discussão a implantação de duas usinas nucleares no estado, na região do Rio São Francisco. “Somos totalmente contra este projeto, pois a energia nuclear é perigosa e geradora de resíduos radioativos que duram milhares de anos. Ao invés disso, deveríamos estar investindo em fontes de geração energética limpas, aproveitando nosso grande potencial eólico e solar”, afirmou Duarte – que é candidato a senador da Bahia pelo PV. Contrária à utilização da energia nuclear como matriz energética, posição adotada pelo Partido Verde em escala mundial, Ute Koczy, 49 anos, alertou sobre os perigos da exploração de urânio. “Não é um mineral como os outros. Tem radiação perigosa e sua mineração apresenta mais riscos que soluções. Melhor deixá-lo no solo”, advertiu. “As condições das pessoas afetadas são dramáticas. A situação em Caetité demonstra claramente que os problemas provocados pela energia nuclear não se referem apenas a questões como o armazenamento final dos rejeitos radioativos ou a segurança dos reatores. Eles estão presentes desde o início do ciclo, com a extração do urânio”, avaliou Ute Koczy. Ela chegou a Salvador na sexta-feira, dia 27, quando participou – juntamente com Edson Duarte – de uma reunião com ambientalistas na Escola Superior de Advocacia da OAB-Ba, no Campo da Pólvora. No sábado pela manhã, eles participaram de um encontro com ambientalistas e jornalistas no Hotel Portobello, no bairro de Ondina. CAMINHO ERRADO – “Alguns governos e corporações transnacionais acreditam no chamado renascimento nuclear. Nós do Partido Verde acreditamos que este é o caminho errado a ser trilhado. Energia atômica envolve riscos muito altos, pois nenhum país encontrou até hoje uma solução definitiva para seu lixo, que continua a emitir radioatividade por milhares de anos. Energia nuclear é também uma energia cara, que requer altos investimentos e enormes quantidades de água, além de precisar ser transportada por longas distâncias,” explicou Ute Koczy. Na opinião da deputada, diante deste cenário, fica a dúvida se realmente a cooperação alemã no projeto deveria ter continuidade. “Para a Alemanha é uma contradição interromper a produção de energia atômica em seu próprio território, por um lado, e, por outro, cooperar com a construção de uma usina nuclear em Angra dos Reis.” Segundo ela, a produção mundial de energia deve cada vez mais se distanciar da exploração do petróleo e do poder atômico e focar nas fontes renováveis. “O futuro pertence às energias renováveis. São seguras, relativamente mais baratas e não agridem o meio ambiente. Ampliar o uso de energias renováveis é uma grande oportunidade econômica, mesmo em áreas mais remotas.” A visita da deputada Ute Koczy foi organizada pelo escritório da Fundação Heinrich Böll no Brasil, uma organização política sem fins lucrativos, que é parte da corrente política verde representada na Alemanha pela coalizão partidária Aliança 90/Os Verdes.

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