Energia elétrica deve ficar até 27,8% mais cara, diz consultor

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Plantão | Publicada em 18/08/2010 às 16h39m
Valor Online

RIO – A intensa contratação de usinas térmicas deve elevar os preços da energia elétrica nos próximos anos, prevê o consultor Mario Veiga, sócio da Consultoria PSR. A expectativa é que, entre este ano e 2015, haja uma elevação de 27,8% do preço médio da tarifa, hoje em R$ 115 por MWh (megawatt-hora), podendo chegar a R$ 147 MWh.
De acordo com estudos realizados pelo consultor, cerca de 60% do aumento está relacionado à contratação de energia nova, sendo os outros 40% referidos a contratos de energia já existentes, que precisarão ser renovados a partir de 2013.
“Nunca antes na história desse país foram contratadas tantas termelétricas”, brincou Veiga. Ele lembrou que, até 2013, há um volume de 10 mil MW (megawattt) médio de energia proveniente de térmicas para entrar no país, o equivalente à soma de Santo Antonio, Jirau, Belo Monte e Angra 3.
A estimativa de preços para 2015 é superior à média da dos preços da energia já existente, de R$ 117 MWh, e da energia para 2011, contratada no leilão de A-3 (R$ 130 MWh) e para 2013, no leilão de A-5 (R$ 146 MWh). Isso se deve, segundo o consultor em energia elétrica, ao fato de o governo ter subestimado nos leilões de energia a frequência com que as térmicas são operadas.
“A história mostra que, por motivos diversos, as térmicas são muito mais operadas do que se previa. Se isso se verificar também nas novas usinas, cujo preço de energia levou em conta uma determinada frequência, haverá maior custo de combustível e os preços vão subir”, disse Veiga. Ele participou do encontro da Light com grandes consumidores, no Rio.
Outro ponto de encarecimento para a energia é a conta de consumo de combustível (CCC), originalmente criada para compensar o uso de térmicas na região Norte do país. Devidos às mudanças na legislação que obrigam o governo a compensar perdas de ICMS dos Estados onde as térmicas deixam de gerar, deverá haver um gasto de R$ 16 bilhões acima do que estava previsto até 2014.
Apesar das dificuldades de preços, Mario Veiga disse que o setor não tem com que se preocupar em relação ao fornecimento de energia. “A boa notícia é que tem muita energia. A má notícia é que vai ser muito cara”, disse. Mesmo nos piores cenários de seca, o atendimento está garantido se a economia crescer até 7,1% ao ano até 2013. A previsão já leva em conta a possibilidade de atraso nas obras das usinas térmicas contratadas em 2008.
(Juliana Ennes | Valor)

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