Eletronuclear fica à espera do BNDES para concluir Angra 3

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Ricardo Rego Monteiro (rmonteiro@brasileconomico.com.br)
13/08/10 19:06

A Eletronuclear corre contra o tempo para fechar dois acordos fundamentais para liberar o financiamento de até R$ 5 bilhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O objetivo é concluir as obras da usina Angra 3. Até o fim de agosto, a estatal da área nuclear espera acertar os contratos de venda da energia da usina com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), e de fornecimento de urânio, com a Indústrias Nucleares do Brasil (INB).

Exigidos pela instituição financeira, os dois contratos servem de garantias para o empréstimo.

Assistente do diretor-presidente da Eletronuclear, Leonam Santos Guimarães argumenta que a estatal tem urgência em liberar os recursos do banco. O represamento, justifica o executivo, obriga a empresa a sacar o empréstimo-ponte de R$ 250 milhões da Eletrobrás para financiar o empreendimento.

“O problema é que o empréstimo-ponte, por ser corrigido pelo IGP-DI, é mais caro do que dinheiro do BNDES, corrigido pela TJLP”, argumenta Leonam.

“Além do mais, esse dinheiro do empréstimo-ponte está acabando. Quanto mais demora a sair o dinheiro do BNDES, mais caro fica o projeto de Angra 3.”

A construção da usina demandará 70% dos gastos (cerca de R$ 6 bilhões) basicamente na aquisição de equipamentos e serviços no próprio país.

O restante (cerca de R$ 3 bilhões), confirma Guimarães, equivale a despesas em moeda estrangeira. Os recursos do BNDES financiarão justamente a parcela em reais dos gastos.

O problema, adverte o executivo, é que a liberação está condicionada a uma série de exigências da instituição financeira.

Como garantias, por exemplo, o BNDES quer não só a receita futura do empreendimento — a energia vendida —, como também o contrato de fornecimento de urânio, que assegura, na prática, a operação da usina.

“O contrato de fornecimento do urânio já foi aprovado pela diretoria da Eletronuclear”, confirma Leonam.

“Nossa expectativa é de que deva ser assinado ainda neste mês. Já o de fornecimento de energia, com a CCEE, ainda encontra-se em negociação, mas esperamos que seja assinado nas próximas semanas, uma vez que é mais simples, por não envolver a definição do preço da carga”, explica.

“Precisamos só que o financiamento do BNDES esteja liberado neste ano”, diz.

A carga da usina, que começará a operar em 2015 com 1.400 megawatts (MW) de potência, será comercializada pela modalidade de energia de reserva, ao preço de R$ 148,65/MWh.

Definidas por uma portaria do Ministério de Minas e Energia, as regras de comercialização asseguram à usina condições parecidas às centrais de Angra 1 e 2.

A carga das duas usinas, gerada na base do sistema interligado nacional, é vendida em cotas para as distribuidoras das regiões Sul e Sudeste do país.

Embora a Eletronuclear ainda trabalhe no detalhamento de Angra 3, o governo já estuda a localização dos novos empreendimentos termonucleares previstos para o país até 2020.

Desde 2008, a estatal avalia – junto com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) – a possibilidade de construir quatro novas usinas nas regiões Nordeste e Sudeste.

No Nordeste, foram analisados terrenos nos estados de Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco. Todos, de acordo com o executivo, em condições de receber até seis novas centrais, com capacidade total de 6,5 mil MW.

No Sudeste, foram avaliadas áreas em São Paulo e Minas Gerais. Uma segunda etapa dessa avaliação ainda terá que ser feita na região Nordeste pelos técnicos das duas estatais, antes da escolha dos locais

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