Fogos deixam Rússia sob ameaça devido a partículas radioactivas

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por HELENA TECEDEIRO

08 Agosto 2010

Chamas podem libertar para a atmosfera resíduos deixados depois da explosão na central nuclear de Chernobyl, em 1986.

“Comecei a sentir-me mal quando ouvi que na floresta usavam robôs para apagar o fogo e já não deixam ninguém aproximar-se”, escreveu Doc, um blogger da região de Briansk citado pelo El Mundo. Esta foi apenas uma das queixas que inundaram a Internet depois de o Governo russo ter lançado o alerta: Os incêndios que há vários dias atingem o país, os piores em 40 anos, implicam uma ameaça nuclear.

Em Briansk – onde 24 anos depois ainda se sentem os efeitos da explosão na central de Chernobyl, uma cidade situada na Ucrânia mas que fica a apenas 300 quilómetros desta localidade russa – a ameaça nuclear é levada a sério. Sobretudo depois de o ministro das Situações de Emergência, Sergei Shoigu, ter vindo alertar que as chamas que alastram pela região podem libertar para a atmosfera partículas radioactivas.

Com mais de sete mil militares envolvidos no combate aos incêndios ao lado dos responsáveis do Ministérios das Situações de Emergência, as autoridades russas conseguiram até agora evitar que as chamas atingissem o material radioactivo. Tanto o que está enterrado no solo junto a Briansk e é proveniente de Chernobyl, como o que guardavam no centro de investigação nuclear de Zarov, a leste de Moscovo.

Na capital, o ar continuava ontem irrespirável, com o instituto de meteorologia a indicar que as temperaturas próximas dos 40 graus e o fumo irão continuar, pelo menos, até quarta-feira. Os níveis de monóxido de carbono na atmosfera era seis vezes superior ao normal. Aconselhados a deixarem a cidade, muitos moscovitas continuavam, no entanto, a percorrer as ruas com máscaras ou lenços a tentar proteger-se do fumo, que deixou o Kremlin quase invisível. A corrida aos transportes para sair da capital deixou a cidade quase bloqueada. Os aeroportos de Domodedovo e Vnukovo registavam dezenas de voos atrasados ou anulados devido ao fumo. “É um Inferno. Há milhares de passageiros à espera, com um calor sufocante. O ar condicionado avariou”, disse à AFP um passageiro em Domodedovo.

Face à dimensão da catástrofe, as autoridades russas anunciaram que os bombeiros e os outros meios de socorro vão estar a trabalhar 24 horas por dia. As chamas já destruíram perto de 200 mil hectares e provocaram a morte a pelo menos 52 pessoas, de forma directa. Pressionado pela opinião pública, o Presidente Dmitri Medvedev já demitiu alguns altos responsáveis e ontem anunciou ter disponibilizado 350 mil rublos (nove mil euros) da sua conta pessoal para ajudar as vítimas dos incêndios).

O Governo português aconselhou os cidadãos que queiram viajar para a Rússia a contactarem o Gabinete de Emergência Consular e a terem precaução.

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