Moscovo declara estado de emergência junto a centro nuclear nos Urais

by

publicado 15:18  09 Agosto 2010

As autoridades russas declararam o estado de emergência junto ao centro de reprocessamento de resíduos nucleares de Maïak nos Urais. A medida deve-se aos incêndios florestais que lavram na região. Esta é apenas uma de várias instalações nucleares que se encontram em regiões ameaçadas pelos fogos florestais que nas últimas semanas consumem vastas áreas do território russo.
Moscovo declara estado de emergência junto a centro nuclear nos Urais
Um comunicado publicado hoje dá conta da imposição do estado de emergência nas florestas e parques da cidade de Ozersk, onde se situa o complexo nuclear.
Segundo se lê no documento, o chefe da administração local, Viktor Trofimtchuk “vai presidir a 10 de Agosto a uma reunião de emergência para coordenar os esforços dos serviços envolvidos”.
O centro de reprocessamento e armazenagem de materiais nucleares situa-se na região de Tcheliabinsk nos Urais, a 2000 quilómetros a leste de Moscovo. Em 1957 o complexo foi palco de uma das principais catástrofes nucleares da União Soviética, quando uma fuga acidental de resíduos nucleares líquidos atingiu cerca de 260.000 pessoas e obrigou á evacuação de várias localidades.
As instalações de Maïak, onde é possível reprocessar 400 toneladas de combustível nuclear por ano, não são as únicas que se localizam em regiões ameaçadas pelos fogos.
O ministro das Emergências da Rússia, Serguei Shoigu pediu ontem aos seus serviços que trabalhassem “24 sobre 24 horas”, para extinguir um incêndio que lavra em sete hectares, em torno do centro nuclear de Snejinsk, que se localiza também nos Urais, a 1500 quilómetros de Moscovo, e onde são fabricadas armas nucleares.
“As condições meteorológicas são favoráveis, devido à ausência de vento, se isso continuar assim hoje, o incêndio será extinto, ” declarou esta manhã o director do centro nuclear de Snejinsk, Guéorgui Rykonavov.
Vigilância prossegue Quanto ao centro nuclear de Sarov, onde também se fabricam armas atómicas, “a vigilância prossegue, em quatro zonas, onde a possibilidade de incêndios subsiste ” indicou o porta-voz da agência russa da energia atómica, Rosatom.
“Actualmente, na zona protegida (deste centro) o incêndio foi extinto. O equipamento e os materiais explosivos foram devolvidos às instalações que estiveram ameaçadas pelo incêndio e o instituto está a trabalhar normalmente” disse este responsável.
O centro nuclear de Sartov situa-se na região de Nijni-Novgorod a 500 quilómetros de Moscovo. Recorde-se que as autoridades russas, depois de repetidamente afirmarem não existir qualquer risco, acabaram por admitir que todos os materiais radioactivos tinham sido retirados do local na semana passada.
Além das instalações nucleares, a vaga de incêndios florestais que assola a Rússia já destruiu bases militares e outras instalações sensíveis. Mais de 550 fogos separados lavravam hoje por todo o país, especialmente na parte Oeste, incluindo os mais de 40 que ardem nas proximidades de Moscovo. Os incêndios foram desencadeados pela mais intensa vaga de calor registada nos 130 anos em que há registos meteorológicos.
Mortalidade duplicou
Esta segunda-feira as autoridades da capital confirmaram o que já se suspeitava. As mortes na região de Moscovo duplicaram em relação à média, para cerca de 700 por dia.
O responsável pela Saúde de Moscovo, Andrei Seltsovky culpou as semanas de calor sem precedentes, quase sempre a exceder os 40º, e a neblina sufocante que cobre a capital, provocada pelo fumo dos incêndios, pela subida da mortalidade relativamente ao ano passado.
Segundo este responsável, as morgues da cidade albergam a cada momento cerca de 1300 cadáveres, estando próximo do seu limite máximo.
Pelo sexto dia consecutivo, uma nuvem de fumo acre cobre hoje Moscovo, com concentrações de monóxido de carbono e de outras substâncias venenosas duas a três vezes superiores aos limites considerados seguros.
Durante o passado fim-de-semana esses poluentes atingiram um recorde máximo, tendo sido registado níveis sete vezes superiores ao limite de segurança.
São poucos os apartamentos de Moscovo que possuem ar condicionado e o sistema de metropolitano é pouco ventilado. Os moscovitas queixam-se de uma situação impossível: Se mantiverem as janelas fechadas não conseguem respirar por causa do calor. Se as abrirem não conseguem respirar por causa do ar poluído.
Os especialistas dizem que os mais vulneráveis são os idosos e as pessoas com problemas respiratórios ou de coração, mas admitem que nestas condições extremas, as mortes podem vir a ocorrer até mesmo em pessoas relativamente saudáveis.

Anúncios

Tags: , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: