Eficiência reduz necessidade de geração

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Valor Econômico – 29/06/2010

Mesmo em vantagem relativa frente a outras nações, por já ter um sistema nacional interligado, o Brasil precisa injetar inteligência na sua malha distribuidora para torná-la mais confiável e eficiente. “O cenário é positivo para que o sistema tradicional, sujeito a fraudes e pouco transparente, se torne mais informativo e educativo aos consumidores”, apontou o engenheiro Ricardo Baitelo, coordenador de energia do Greenpeace.

Apesar da matriz nacional ser majoritariamente hidrelétrica e renovável, usar recursos naturais com racionalidade é sempre positivo, afirma Mariângela Rino Pedrosa, gerente de mercado do setor elétrico do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPDT). ” É possível crescer sem que haja necessidade de novos investimentos em geração que tragam impactos brutais no meio ambiente”, diz.

Para Baitelo, com a utilização de redes inteligentes, é possível enxugar até 20% da demanda anual do país por mais geração. “Apesar da demanda reprimida por eletricidade e do consumo crescente da classe média, há inúmeras possibilidades para smartgrids e outras tecnologias para conter o crescimento em geração”, afirma.

A Índia, onde milhões de pessoas não tem energia, já testa a tecnologia em algumas regiões do país. Na Suécia, todo o sistema é inteligente porque a agência reguladora determinou às distribuidoras que visitassem residências e fizessem relatórios sobre consumo, tornando a instalação de medidores eletrônicos economicamente vantajosa. Na Alemanha, medidores foram oferecidos como bônus para atrair a clientela. Lá o consumidor escolhe a concessionária.

No Brasil, a regulação do setor ainda é lenta e a expectativa é de que se troquem mais de 65 milhões de medidores de consumo na próxima década, a um custo médio de 200 reais por aparelho. Eles ajudarão a combater furtos e transmitirão dados sobre todo o sistema elétrico. “Com o crescimento anual projetado na demanda, seriam necessários nove milhões de medidores ano nesse período”, estima Pedro Barbieri, assessor da Associação Brasileira da Indústria de Elétrica e Eletrônica.

As smartgrids facilitarão detectar roubos, desvios e anomalias no fornecimento energético, além de reduzir o desperdício em casas, indústria e comércio com equipamentos que funcionarão em determinados horários. “Em residências, 25% da energia é desperdiçada por uso ineficiente de aparelhos”, diz Baitelo. “Com mais controle sobre a rede, diminuem-se as interrupções e cresce o faturamento das concessionárias”, lembra Mariângela Pedrosa, do CPDT.

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