Professor se preocupa com a vontade do governo de Pernambuco de atrair usina nuclear

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25 de junho de 2010

Gerson Flávio da Silva
de Recife (PE)

Causou perplexidade o anúncio do secretário de Recursos Hídricos de Pernambuco, João Bosco de Almeida, de que o Estado entrará na disputa para receber uma central nuclear que o Governo Federal planeja instalar no Nordeste. O artigo 216 da Constituição estadual proíbe a instalação de usinas nucleares em Pernambuco enquanto não se esgotar toda a capacidade de produzir energia elétrica de outras fontes. É sobre essa vontade do governo pernambucano o tema da segunda parte da entrevista com Heitor Scalambrini Costa, professor associado da Universidade Federal de Pernambuco, graduado em Física pelo Instituto de Física Gleb Wattaghin da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). *

Parte I: Suape: modelo predatório de desenvolvimento 

PortoGente – Qual sua opinião sobre a decisão do governo de entrar na disputa para receber uma central nuclear?
Heitor Scalambrini Costa
– Deixou-nos perplexos o anúncio do secretário estadual de Recursos Hídricos, primeiro porque o crescimento econômico tão propalado e propagandeado pelos governos não é um fim em si mesmo.  Ele é uma ferramenta, um instrumento para o desenvolvimento. E o desenvolvimento que nós defendemos é aquele que seja sustentável em todos os aspectos: econômico, ambiental, social e cultural. 
 
PortoGente – O projeto tem sido apresentado com argumentos que é a opção mais segura e mais barata para a produção de energia elétrica.
Costa
– Com relação aos custos da eletricidade nuclear eles são caros e irão impactar ainda mais as tarifas de energia elétrica, uma das mais caras do mundo. De que é uma tecnologia segura? Como se fosse possível. Alguns de seus defensores chegam a afirmar que os riscos de ocorrer um acidente inexistem. Obviamente não podemos negar os renovados esforços da indústria nuclear em apresentar-se como segura; todavia, acidentes em instalações nucleares em diversos países continuam a demonstrar que esta tecnologia é perigosa, oferecendo constantes riscos que podem trazer consequências catastróficas ao meio ambiente e à humanidade, por centenas de milhares de anos. Sem falar em outro problema que continua sem solução no Brasil e no mundo, que é o armazenamento do lixo radioativo gerado pelas usinas. Estima-se que estes rejeitos tenham que ficar isolados durante até 10 mil anos.
 
PortoGente – Outro argumento é que as usinas nucleares não contribuem para os gases do efeito estufa.
Costa
– Afirmar que as centrais nucleares não contribuem para os gases de efeito estufa, que são “limpas”, é uma meia verdade. No conjunto de etapas do processo industrial que transforma o mineral urânio, desde quando ele é encontrado nas minas em estado natural até sua utilização como combustível dentro de uma usina nuclear, chamado ciclo do combustível nuclear, são produzidas quantidades consideráveis de gases de efeito estufa.

http://www.portogente.com.br/texto.php?cod=30166

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