Construção de Angra 3 vai contra a tendência de uso de energia renovável

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Brasil | 02.06.2010  

Angra 2

 

 

 

 

 

 

 

 

Obras de Angra 3, desativada desde 1986, serão retomadas. Brasil sempre contou com know-how da Alemanha – onde construção de novas usinas nucleares é assunto proibido.  

   

   

  Mais de 40 anos depois de sua concepção original, tudo indica que a terceira usina nuclear brasileira vai ser finalizada. O Diário Oficial da União publicou no início desta semana a licença que autoriza a construção do prédio que vai abrigar o reator de Angra 3.  

 O governo brasileiro enxerga na nova usina a chance de reduzir os riscos do déficit de energia elétrica. Angra 3 terá capacidade de fornecer 1.405 MW de energia, o que deverá ajudar a abastecer a região sudeste a partir de 2015.  

A nova planta não está envolta na polêmica que ainda acompanha a usina hidrelétrica de Belo Monte, mas não deixa de ter uma pitada de controvérsia.  

  Parada no tempo  

 As obras em Angra dos Reis aguardam um recomeço desde 1986. Depois da aparente superação da série de dúvidas que interromperam a construção da usina – tais como falta de recursos públicos, custo alto e desconfiança quanto à sua conveniência –, o projeto ainda enfrenta alguns questionamentos externos.  

 “Alguns equipamentos antigos já foram entregues e estão lá, esperando para serem usados por anos e anos. Recomeçar esse projeto é realmente um caso de segurança. A história mostra que recomeçar projetos antigos sempre traz à tona problemas relacionados a custo e tempo”, observa Heinz Smital, especialista em energia nuclear do Greenpeace na Alemanha.  

  De fato, a decisão de se construirem as três usinas nucleares na cidade de Angra dos Reis foi tomada pelo governo em 1968. As obras de Angra 1 começaram em 1970 e a usina foi conectada ao sistema somente em 1982 para, três anos depois, começar a fornecer eletricidade comercialmente.  

  A segunda usina entrou em operação em 2001, enquanto as obras de Angra 3, naquela época, já estavam paralisadas há cinco anos. Foi só em 2007 que o governo resolver retomar o projeto com vigor.  

  “Em 20 anos, foram muitas as mudanças de design de usinas nucleares. Algumas foram adaptadas, outras não. Angra 3 é um caso único na história. Há muitos problemas escondidos na complexidade dessa construção”, avalia Heinz, que acompanha a discussão brasileira.  

  No entanto, a empresa Eletrobrás assegura que os equipamentos antigos adquiridos estão em “ótimas condições para uma operação confiável e segura da planta”.  E que eles “apresentam os mesmos projetos de engenharia e os mesmos métodos fabris e construtivos que aqueles em operação nas usinas alemãs mais recentemente construídas – as usinas da série Konvoi, que, desde o início do funcionamento comercial, vêm se colocando entre as usinas nucleares de melhor desempenho operacional no mundo.”  

  A última usina nuclear construída na Alemanha data de 1989. Os reatores do tipo Konvoi são usados em cinco nas usinas alemãs nas localidades de Neckarwestheim,  Isar e Emsland, segundo dados da produtora.   

Painel de energia fotovoltaica em Freiburg, na Alemanha

 Na contracorrente  

Enquanto cresce a aposta no uso das energias renováveis como solução limpa para um futuro comprometido pelas mudanças climáticas, o ritmo de construção de usinas nucleares desacelera. Curiosamente, 2008 foi o ano em que o mundo não assistiu à implantação de qualquer nova usina do tipo.  

“É muito claro que novas construções de usinas atômicas não são aceitas na Alemanha. Isso já foi esclarecido pela população e por todos os segmentos da sociedade. Os partidos políticos decidiram que não vão apoiar novas usinas. A única questão ainda não resolvida é quanto tempo as já existentes irão continuar em operação”, esclarece Heinz Smital, especialista em energia nuclear do Greenpeace na Alemanha.  

E esse é assunto ainda em andamento no cenário político. Atualmente, 17 reatores estão em funcionamento na Alemanha e o país não apoia o prolongamento da vida útil das usinas.  

Usina nuclear em Kahl no Meno, Alemanha

Relações alemãs desde o início 

Se a população alemã se opõe à ideia de aumentar a oferta interna de energia nuclear, é daquele país que vêm os maiores parceiros para a construção das usinas de Angra. 

Em 1975, Brasil e Alemanha assinaram um acordo de cooperação na área – os brasileiros passam a ter acesso ao ciclo completo de abastecimento. Naquele mesmo ano, o governo brasileiro adquiriu os dois primeiros reatores da empresa alemã Siemens/KWU. 

O projeto de Angra 3 também é Siemens/KWU, atual Areva NP. O investimento em equipamentos já adquiridos é de 600 milhões de euros, mas até 2015 deve chegar a 8,4 bilhões de reais. 

O governo Lula ainda trabalha com a proposta, apresentada pelo Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro, de construção de mais quatro usinas nucleares com capacidade de 1.000 MW cada. 

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Simone Lopes 

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5643100,00.html 

 

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