Brasil considera possível acordo nuclear com Irã

by

MARCELO NINIO

Em visita ao Irã, Amorim diz ver tempo para acordo

Chanceler brasileiro se reúne hoje com Ahmadinejad, que recebe Lula em maio

Ministro encerra giro que o levou à Turquia e à Rússia em busca de um acerto que permita troca de urânio e evite sanções contra Teerã

Em meio à pressão internacional liderada pelos EUA por sanções mais duras contra o Irã, o chanceler Celso Amorim considera que um acordo nuclear ainda é possível com o país persa.

Amorim está desde a noite de domingo em Teerã, onde hoje se reunirá com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. O objetivo da visita é ajustar posições para a visita do presidente Lula ao Irã, em meados do próximo mês, mas sobretudo testar possíveis saídas para o impasse nuclear.

O tema também foi abordado nas consultas que Amorim fez na Turquia e na Rússia nos últimos dias, antes de chegar ao Irã. Segundo ele, Turquia e Brasil estão “afinados” na rejeição a sanções e na busca de uma solução negociada.

“Não é um julgamento de valor, se merece ou não merece [sanções], não se trata disso, mas de saber o que melhor conduz a uma solução satisfatória para todos. Nós achamos que sanção é contraproducente: pode conduzir a um efeito contrário ao que se deseja”, disse à Folha por telefone.

Ontem o ministro esteve com o principal negociador nuclear iraniano, Saeed Jalili, e com o antecessor no cargo e atual presidente do Parlamento, Ai Larijani. Cada conversa durou uma hora e meia e abordou “em profundidade” a questão nuclear, disse Amorim.

O chanceler não quis entrar em detalhes sobre as ideias discutidas. Mas afirmou que todas são “variações” da proposta feita no fim do ano passado pelo P5+1, grupo que reúne as cinco potências com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, França, Reino Unido e China) e a Alemanha.

“Tudo se resume a um problema de tempo, lugar e quantidade. Não são questões tão difíceis e que sejam inconciliáveis” afirmou Amorim. De acordo com a proposta do P5+1, feita por intermédio da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), o Irã enviaria 85% de seu estoque de urânio pouco enriquecido para outro país e receberia combustível enriquecido a 20%, adequado para uso médico mas não para fins militares.

O Irã resistiu à proposta, temendo que o urânio não seja devolvido, o que motivou um impasse e o aumento da pressão das potências ocidentais, lideradas pelos EUA, por uma quarta rodada de sanções no Conselho de Segurança.

As ideias em discussão por Amorim em Teerã colocam a Turquia como “fiel depositária” do urânio iraniano e tentam estabelecer um calendário para a troca dos materiais aceitável para as duas partes. “Até pouco tempo atrás havia uma resistência dos iranianos de que depositário ficasse com todo o seu estoque. Temos que explorar as alternativas, o que seria necessário do ponto de vista do Irã para que essa possibilidade seja utilizada.”

O Irã diz que seus reatores não têm objetivos bélicos, mas é criticado pela falta de transparência pela própria AIEA. Para Amorim, que minimiza os dados compilados pela AIEA por considerá-los ultrapassados, é possível achar um “meio-termo” para que não seja necessário votar uma nova rodada de sanções. Para que a resolução seja aprovada são necessários nove votos dos 15 membros do conselho, incluindo de todos os cinco permanentes.

Nos últimos dias o Irã saiu em busca do apoio dos membros não permanentes contra as sanções. Ahmadinejad esteve em Uganda, e o chanceler Manouchehr Mottaki, passou pela Áustria e pela Bósnia-Herzegóvina. Os três países, como o Brasil, são atualmente membros do conselho.

Amorim descarta uma coordenação do Brasil com outros países em um voto sobre sanções. “Não estamos aqui para aliciar o voto de ninguém. Não dei nenhum telefonema para outro membro não permanente para convencer A ou B. Cada um age conforme sua cabeça.”

Antes de ir a Teerã, Amorim jantou em Moscou com o chanceler russo, Serguei Lavrov, e ficou com a impressão de que o país não tem pressa em aprovar sanções. “Se eu dissesse que eles estão muito otimistas, estaria exagerando para o meu lado. Mas, se dependesse dos russos, eles esperariam para ver o resultado dessas gestões.”

Fonte: Correio Braziliense

Anúncios

Tags: , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: