O perigo da Usina Nuclear

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Coordenador do Greenpeace fala sobre a contaminação através do urânio, os riscos de acidentes, o destino do lixo nuclear e as doenças que podem atingir a população
09/04/2010 – 07:21

  

A implantação de uma usina nuclear em Sergipe tem levantado dúvidas quanto aos reais benefícios do funcionamento dessa geração de energia. Após visita do Portal Infonet as instalações de Angra dos Reis onde foram produzidas reportagens mostrando a opinião e as explicações do presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, sobre o funcionamento das usinas em Angra, dessa vez a nossa equipe conversou com o coordenador da campanha de energia nuclear do Greenpeace, André Amaral. 

Segundo ele, os interesses e a pressão para que uma usina seja construída no Nordeste faz parte de um projeto político e comercial e que a grande maioria da população está contra a esse projeto. André Amaral cita que existem vários aspectos que são impactantes, como a questão do lixo nuclear. “O lixo nuclear é uma questão sem solução, é um investimento muito grande sem nenhuma segurança e fora todo risco envolvido porque não tem um local adequado para destinação final, com relação ao transporte que é complicado”, explica André Amaral, salientando que no caso de Angra I e Angra II o lixo está armazenado em local provisório que não tem nenhuma qualificação. 

“Em alguns locais do mundo que tentaram fazer um depósito definitivo eles tiveram vários tipos de problemas como vazamento, contaminação do solo e contaminação de animais, então é uma questão muito complexa”, completa. 

Tarifa  

André Amaral Foto: Greenpeace/Masi Torres

 

O coordenador critica o alto investimento para a instalação e o funcionamento das usinas e disse que o preço de instalação de uma usina é muito mais alto do que se fosse utilizada as fontes renováveis de geração de energia. “Por exemplo, no caso de Angra III a tarifa de energia será mais barata porque é um investimento que foi feito no passado, essa também é uma usina que vai sair mais barata do que as que serão construídas no Nordeste porque quase 70% dos materiais de Angra III já foram comprados e agora o investimento é mais baixo, são R$ 8 bilhões”, explica André. 

Segundo estudo do Greenpeace, a energia eólica que era uma das mais caras já é mais viável economicamente do que a energia nuclear. “A gente tem o preço de tarifa da Angra III que circula entre R$ 200 e R$ 300 por megawatt hora (MWh). No caso de renováveis, por exemplo, eólica teve uma tarifa de R$ 148 por MWh, de acordo com a tarifa média do leilão de energia do final do ano passado”, destacou. 

Desativação  

Sobre o funcionamento da usina André Amaral, explica que existe uma vida útil de no máximo 40 anos para que seja desativada. O problema é que para desativar é preciso preservar o meio com as mesmas características de antes da implantação. “Poucas chegaram a esse tempo de vida útil, elas geralmente são desligadas antes disso por mau funcionamento e envelhecimento de peças. Em alguns países que tinha como meta estender esse prazo como Canadá e Estados Unidos, eles acabaram desistindo de fazer isso. O que acontece é que após esses 40 anos você 

Usina de Angra no Rio de Janeiro

 

tem que desmantelar a usina e deixar o meio em que ela estava instalada de acordo como era originalmente antes da instalação da usina. Isso não foi feito em nenhum lugar do mundo, então você não tem idéia de quanto será o preço”, questiona, André, salientando que o governo apresenta o valor de 240 milhões de dólares para Angra II e III, mas em países que começaram a fazer o desmantelamento já foram gastos bilhões. 

Urânio 

André Amaral é enfático e diz que o Brasil tem um potencial enorme para gerar outras fontes e menor risco e impacto ambiental e social. “Não podemos considerar somente a usina tem que considerar todo processo de mineração e de transporte que no caso do Brasil a mineração é feita em Caetité [BA]”, diz o coordenador, lembrando que existem vários problemas acontecendo em Caetité e em todos os locais que já foram feitas a extração ou o beneficiamento de material radioativo a exemplo de São Paulo e Minas Gerais. 

“Temos vários problemas como pessoas contaminadas, doentes e morrendo, isso fora o impacto ambiental. São problemas sociais, ambientais e econômicos trazidos com esse tipo de investimento que é o programa nuclear que a gente esta pagando mais caro para passar por esses riscos do poderíamos pagar por fontes limpas e renováveis de energia como eólica, biomassa, solar e pequenas centrais hidrelétricas”, garante. 

Emprego  

O Greenpeace contesta a argumentação de que a usina pode gerar grande aquisição de emprego e renda para a população local. “A tecnologia nuclear precisa de mão-de-obra especializada e localmente você não tem esse tipo de mão-de-obra qualificada para operar em uma usina nuclear, então, vai ter que trazer mão de obra de fora do Estado, deixando pouco investimento e retorno para a população local”, diz André Amaral, completando que as empresas locais também não terão vantagens porque quem geralmente faz a obra são as grandes construtoras brasileiras que tem uma capacidade competitiva altíssima e podem executar a obra em um custo baixo. 

Por Kátia Susanna

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