USINA NUCLEAR EM SERGIPE: UM ERRO IMPERDOÁVEL

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domingo, 14 de março de 2010

Na última Sexta Feira, 5 de Março de 2010, o Governador de Sergipe Marcelo Déda Chagas visitou a Usina Nuclear de Angra dos Reis no Estado do Rio de Janeiro. A comitiva do Governador queria entender como funciona aquelas usinas, uma vez que o Estado quer instalar uma usina nas terras Serigy. A comitiva ouviu palestra com o presidente da Eletrobrás, empresa responsável pela construção de novas usinas no país. Além de Sergipe, estão na “briga” para levar a usina nuclear os Estados de Pernambuco e Alagoas.

Para o Secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, da Ciência e Tecnologia do Turismo de Sergipe, Jorge Santana “a construção da usina será um grande benefício para a população sergipana, tanto em royalties que possibilita desenvolvimento para todos, como também na geração de emprego e renda da localidade.” Entretanto, o Secretário precisa explicar para o povo sergipano, por que municípios que, atualmente, recebem royalties como Canindé do São Francisco, Carmópolis, Rosário do Catete, Laranjeiras, Riachuelo apresentam os piores Índices de Desenvolvimento Humano e educacionais do Estado?

Caso seja instala em Sergipe, a Usina Nuclear poderá começar a entrar em funcionamento a partir do ano de 2019. Entretanto, o verdadeiro debate o Governo do Estado não quer fazer. Segundo o Greenpeace, “tanto o reator nuclear (local onde acontece a produção de energia quanto à bomba atômica têm uma quantidade de material radioativo para provocar uma reação em cadeia).” A diferença entre a bomba nuclear e a usina é que na usina o reator controla a reação em cadeia que possui uma série de mecanismo de segurança. Entretanto, esses mecanismos de segurança nem sempre funcionam. É ai que mora o perigo. Podemos aqui registrar vários acidentes nucleares que já aconteceram pelo mundo.

• Em 1979, no Estado da Pensilvânia, Estados Unidos ocorreu um dos piores acidentes nucleares do mundo, quando o gás responsável pela refrigeração do reator vazou, provocando o derretimento do núcleo. O resultado foram milhares de mortes e incalculáveis incidentes de pessoas com câncer, tireóide e outras doenças resultado da radiação.
• Em 1957, a explosão de uma fábrica de processamento de material nuclear na cidade de Mayak no Sudoeste da Rússia que expõe 272 mil pessoas a radiação, provocando mortes e doenças cancerígenas.
• Em Setembro de 1999, na cidade japonesa de Tokaimura três trabalhadores morreram devido a alta irradiação da usina nuclear. As comunidades locais tiveram que ser evacuadas após falha de procedimento na fábrica de combustível.
• Em Agosto de 2004, também, no Japão a ruptura do cano da usina nuclear matou cinco trabalhadores na cidade de Mihama.
• Em Abril de 2006 no Japão ocorreu a liberação de 40 litros de líquido contendo plutônio na cidade de Rokkasho-Mura, provocando diversas conseqüências.
• Em Novembro de 2007, na Espanha houve o vazamento de material radioativo pelo sistema de ventilação. Na época, a empresa não comunicou a população, fato que resultou em contaminação em áreas públicas, centenas de pessoas foram examinadas somente depois da notícia ter vindo ao público, a partir de denúncia feita pelo Greenpeace.
• Em 1986, na cidade de Chernobyl na Ucrânia, antiga União Soviética, o reator explodiu causando uma nuvem radioativa que atingiu outros países europeus: Polônia, Escandinávia e Suécia. Milhões de pessoas morreram ou sofreram com doenças resultados do acidente. Até hoje, regiões inteiras estão proibidas de produzir alimentos, mas as conseqüências sobre a o ecossistema e a saúde humana são desconhecidos como câncer, tireóide, leucemia, problemas respiratórios, endócrinos, doenças infecciosas e anormalidades genéticas.

Em função dessa insegurança que a energia nuclear tem provocado no mundo, vários países estão desativando seus reatores nucleares e buscando outras fontes alternativas de energia que não provoque tantos riscos à população. A Itália, depois de um plebiscito, desativou todos os reatores nucleares. O país é rico em potencial hidráulico, como o Brasil, e está buscando fontes energéticas mais seguras. Outros países estão buscando o mesmo como: Coréia do Norte, Japão, Bulgária, Alemanha e Suécia.

Enquanto, os países estão buscando desativar seus reatores nucleares o Brasil quer construir novas usinas nucleares. Esse é um erro imperdoável, pois o povo brasileiro e sergipano não merece ter que conviver com essa insegurança pelo resto da vida. Para o governo do Estado o que importa são os royalties, ou seja, mais dinheiro que irá entrar nos cofres do Estado, mas e o meio ambiente e a vida das pessoas não importa?

O art. 232 da Constituição do Estado de Sergipe, parágrafo 8°, assim determina:

Art. 232. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Estado, ao Município e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
———————————–
§ 8º Ficam proibidos a construção de usinas nucleares e depósito de lixo atômico no território estadual, bem como o transporte de cargas radioativas, exceto quando destinadas a fins terapêuticos, técnicos e científicos, obedecidas as especificações de segurança em vigor.

Até o momento, somente o deputado Federal Iran Barbosa (PT) e a Deputada Estadual Ana Lúcia (PT) já manifestaram opinião contrária a essa iniciativa do Governo do Estado. Esperamos que outros deputados possam, também, somar-se a essa luta que deve ser de todos os sergipanos. Sergipe não precisa de Usina Nuclear, pois a Hidroelétrica de Xingó ainda possui capacidade de ampliação da produção energética. Portanto, caso o Governo do Estado queira ampliar a produção energética do Estado é solicitar a Chesf a ampliação de Xingó e não trazer esse monstro Nuclear para o Estado.

A construção de uma usina nuclear em Sergipe necessita que os deputados aprovem a alteração da constituição estadual. A mobilização da população é necessária para que isso não aconteça. Entretanto, caso o Governo do Estado queira construí-la, que se realize um plebiscito, consultando a população sergipana se quer, ou não, conviver com a morte ao seu lado.

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