Para consultoria, energia limpa no mundo pode render US$ 20 bi por ano ao Brasil

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 24/02/2010

São Paulo – SP 
Valor Econômico 
http://www.valoronline.com.br/
Chico Santos
O mercado mundial de energias limpas deverá movimentar em 2020 aproximadamente US$ 3 trilhões e o Brasil poderá beneficiar-se de exportações adicionais de US$ 20 bilhões por ano apenas de bens e serviços para a indústria de energia a partir da biomassa.  Os números fazem parte de um trabalho apresentado ontem por Stefan Matzinger, sócio-diretor da consultoria McKinsey & Co., no segundo e último dia de debates do seminário “Uma Agenda para os Bric”, promovido pela Prefeitura do Rio de Janeiro, com a colaboração do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio.

As projeções de Matzinger levam em conta que o mundo estará fortemente empenhado em reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa e que o Brasil aproveitará suas atual posição de vanguarda no desenvolvimento de energias limpas a partir da biomassa.  O estudo da McKinsey estima que, se o mundo seguir movimentando sua economia com base nas tecnologias em uso, as emissões passarão de 45 gigatoneladas (Gt) anuais em 2005 para 69 Gt anuais em 2030.  No mesmo período, as emissões dos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) passariam de 14 Gt para 28 Gt, sendo 17 Gt da China.  De acordo com Matzinger, utilizando tecnologias novas já dominadas, as emissões em 2030 poderiam ser de 31 Gt anuais, das quais 15 Gt do Bric.

Apesar de na projeção do consultor o ônus maior das reduções estar com o restante do mundo, especialmente os países desenvolvidos, ficou evidente no painel “Sustentabilidade e Segurança Energética” que há divergências entre o pensamento da maioria dos países do Bric – pelo menos Brasil, China e Índia, que fazem parte do G 77, o grupo dos 130 países em desenvolvimento, nas discussões climáticas – e o do consultor.
O diretor do Departamento de Energia do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, André Aranha Corrêa do Lago, disse que não se pode perder de vista que o compromisso dos ricos tem de ser de reduzir as emissões em termos absolutos, enquanto às nações em desenvolvimento, como os Bric, cabe reduzir a curva de crescimento das suas emissões, de modo a poderem continuar crescendo em níveis que lhes permitam resgatar suas dívidas sociais internas.

“É chave na discussão distinguir as duas partes”, enfatizou.  Ao que Matzinger rebateu: “Somos todos habitantes da terra.  Quem fizer a opção pelo desenvolvimento mais limpo vai colocar barreiras aos produtos de quem optar pelo mais sujo.”  Depois, disse que seus números mostravam não haver tanta diferença assim entre as partes.

Mas o tom do representante da China no painel foi também enfático e afinado com a posição brasileira.  Liu Youfa, vice-presidente do Instituto de Estudos Internacionais da China, exortou os países do Bric a manter o esforço para explorar seus potenciais de desenvolvimento, sem perder de vista a sustentabilidade que, na sua definição, inclui o desenvolvimento econômico voltado para beneficiar toda a sociedade, sem gerar prejuízos para as gerações futuras.

Para Youfa, os países do Bric ainda precisam “exercer eficientemente seus direitos em termos de regras internacionais”.  Ele defendeu uma maior coordenação entre as políticas exteriores dos quatro países.  “Juntos, ficaremos de pé.  Isolados, desmoronaremos”, disse.
O seminário encerrado ontem, que marcou o lançamento de um Instituto de Estudos e Pesquisas do Bric, pela Prefeitura do Rio e pela PUC-Rio, mostrou que os países que formam o conjunto, denominado Bric pelo economista inglês Jim O’Neill, têm mais diferenças do que convergências, mas estão decisivamente empenhados em dar um sentido mais profundo à sigla, que nasceu apenas para definir as nações que estariam destinadas a liderar o crescimento econômico.

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