Além das chuvas, o risco nuclear

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A situação em Angra dos Reis é grave. Mais de 900 desabrigados, 41 mortos, dois bairros evacuados e muitas perdas… A Região da Ilha Grande foi interditada, fazendo com que os turistas tivessem que deixar o local. A Rio-Santos, principal via de acesso a região, também pode ficar interditada por até 2 meses.

Tudo isso fez com que o Prefeito de Angra solicitasse o desligamento dos reatores nucleares, zelando pela segurança da população. Mesmo sabendo que o quadro atual ameaça a execução do polêmico plano de emergência das usinas, a Eletronuclear insistiu em deixar o parque nuclear funcionando, desconsiderando a segurança e a lei da precaução e colocando assim a vida de milhares de pessoas em risco.

Mas a prefeitura de Angra promete insistir na solicitação. O prefeito Tuca condicionou o funcionamento pleno das unidades à perfeita trafegabilidade da Rodovia Rio-Santos, o que pode levar mais de dois meses para ser atingido, se é que o pode, levando-se em consideração o histórico de interdições da rodovia.

O plano de segurança da Central Nuclear Almirante Álvaro Aberto, de Angra dos Reis, é algo muito pouco discutido e detalhado, apesar da pressão para tal, há muito tempo exercida por diversos setores da sociedade, inclusive o Greenpeace. Como sabemos, não existe transparência nem controle social no programa nuclear brasileiro. Até hoje, não há um plano de emergência bem definido, que seja considerado eficaz, nem uma preocupação por parte da empresa, que continua a negligenciar a segurança da população.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear, órgão licenciador e fiscalizador da área nuclear, que controla a empresa que fabrica combustível e a que fabrica peças para as usinas de Angra, ou seja, que tem interesses diretos com o funcionamento da usina, também parece não se importar com a segurança do povo, o que deveria ser seu principal papel. Até hoje a CNEN não se manifestou sobre o assunto. O Greenpeace tentou ouvir a opinião do Diretor de Radioproteção e Segurança da Comissão, Laércio Vinhas, mas ele não quis se manifestar.

Em 2009, 24 e 9 anos após o início de funcionamento das usinas de Angra 1 e 2 respectivamente, o exercício do plano de emergência das usinas veio a comprovar a sua ineficácia. Segundo assumiu o ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Jorge Armando Félix, que acompanhou o exercício, a fuga marítima em embarcações pela Baía da Ilha Grande poderia ser o plano A, em detrimento da fuga pela Rodovia Rio-Santos, uma vez que a situação da Rio-Santos ainda era crítica para evacuar a população em caso de acidente nuclear.

Agora, a situação está muito pior. Com a estrada e a região da Ilha Grande interditadas, como a Eletronuclear planeja agir para garantir segurança à população em caso de emergência?

 

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